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Li agora the Deep Blue Good-by, o primeiro volume das aventuras de Travis Mcgee de John D Macdonald.
 Já tinha lido nove dos vinte e um romances que compõem a série, inclusive o último (!) mas decidi tentar ler a série por ordem de publicação. 

A série é maioritariamente ambientada na Florida, Mcgee envelhece ao longo dos livros, editados entre 1964 e 1985, começa nos trinta e termina nos cinquenta e muitos.

Macdonald é um cronista das mudanças nos EUA, especificamente na Florida, durante essas três décadas. Avant la lettre, principalmente no género, Macdonald dá importância à construção desmesurada, realçando os crimes ambientais e a destruição da beleza natural.

Mcgee é um salvage consultant, só trabalha quando o dinheiro escasseia. Vive desta forma para aproveitar a reforma em doses homeopáticas, a partir do seu barco.

Mcgee então, recupera bens ou dinheiro roubados a pessoas que vêm nele a sua ultima opção. Mcgee é um romântico hedonista e pragmático, a série começa a ser escrita nos anos 1960 e a sexualidade desabrida ajudava a vender os paperbacks.

Mas estamos longe das sleazy novels... Mcgee é um precursor de séries e heróis contemporâneos, como Jack Reacher... 

Macdonald, veterano dos pulps, autor de O Cabo do Medo, por exemplo, traz a rapidez violenta do género aliada a reflexões acerca da vida, do sexo feminino e do "estado da arte" nos EUA.

Dito isto, este Deep Blue é uma introdução simpática da personagem, mas não está no top dos romances da série que já li. Vamos lá reler o segundo, que também não me convenceu por aí além na primeira leitura. by @tiagaotsf
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13 days ago
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O que é um clássico?

Uma das definições possíveis é que se trata de um livro que não perde com o passar do tempo, a cada leitura, a cada geração há interesse e interpretações novos.

O Tiago Cavaco dizia que as novas gerações estavam a descobrir o livro a partir da temática dos relacionamentos amorosos.

Discutia com um amigo meu, há umas semanas, dizendo que do pouco que li de Dostoievski e de Tolstoi neste momento sou mais team Tolstoi. Outro amigo dava a entender que eu teria de crescer para compreender totalmente e plenamente Dostoievski.

Aceito a necessidade de crescimento, mas a criação de personagens, a crítica e o mundo social de Tolstoi, bem como o seu humor, chamam-me mais do que a literatura programática de Dostoievski. Nada contra a tese na literatura, nada contra os romances filosóficos, mas...a "leitura" de Dostoievski na licenciatura ainda traz uma marca negativa. E não é preconceito, que tento (re)ler todos os autores que me deixaram amargo de boca nos estudos. 

Este Noites Brancas uma espécie de comédia romântica indie, sem comédia, com um introvertido que se apaixona como poderia ter decidido matar alguém. A determinada altura na escrita de Dostoievski o salto acontece. Aqui não há saltos, é tudo muito recatado, ainda que arrebatado.

O isolamento social transforma-se em capacidade, ou somente na capacidade, de sonhar. Do outro lado, uma moçoila presa, literalmente e contra vontade, às saias da avó. O artifício do encontro é o das conversas entre dois inadaptados sociais, artifício que me soube  a pouco. E artificial como o caraças.

Sim, são pouco menos de 100 páginas, há algumas frases interessantes, algumas ideias dignas, mas querem o quê? Saí recentemente de dois livros de 150 páginas que fazem muito nessas poucas páginas, em termos de narrativa, de criação de personagens, de provocae a capacidade de interpretação do leitor. Este? Nem por isso. 

Já não tenho muita pachorra para comédias românticas tipificadas, esta termina como promete e antecipa diversas vezes, mas dentro de uma candura feminina e uma tristeza masculina insuportáveis.
Meh! by @tiagaotsf
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14 days ago
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Setembro, quase Outubro, e devo ter lido o meu livro de ficção contemporánea do ano.
Uma saga, a vida de um homem, Marco Carrera, escrita em capítulos desordenados cronologicamente, que nos vão dando pistas, peças a montar no puzzle da vida de um homem que fica parado enquanto a vida passa por ele. É uma ideia de constância, não tanto de passividade, de força, não tanto de fraqueza.
Tem algumas das mais belas páginas que já li sobre a morte de um filho. 
É um livro poético, grande no escopo, fala das dificuldades de crescimento, físicas e de carácter, dos amores e dos casamentos furados, da paternidade, do amor filial, dos pequenos contactos que vamos tendo com os outros ao longo dos anos.
#sandroveronesi #ilcolibrì #ocolibri #autenticaeditora by @tiagaotsf
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23 days ago
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Em 2000, talvez 1999, devo ter visto mais de 10 concertos do Palma. Na FCSH, na Fnac do Colombo, na festa académica, no Casino do Estoril, sei lá...

Há alguns de que me não esqueço, no Casino do Estoril era convidado a terminar mais cedo do que o suposto pela gestão do sítio e mandou-os às malvas e continuou a tocar. Na semana académica, esquecia-se das letras e convidava o público a cantar, porque sabia melhor do que ele que as tinha escrito.

Encontrei o Palma num CD da biblioteca municipal, o Bairro do Amor, que ouvi até à exaustão, depois de o gravar para uma cassete. Fui atrás do resto.
É uma frase batida, Palma deu-nos compreensão de sentimentos numa fase importante da vida, do amor à solidão, deu-nos vocabulário, um universo de palavras e expressões que reverberam ainda hoje em várias gerações. 

Parecia ser fácil escrever sobre o que muitas vezes é indizível ou difícil de expressar, o Jorge Palma tornava fácil e encheu-nos o ouvido de canções difíceis de esquecer. Que nos habitam. Que nos vestem.

Deixo um pastiche, em jeito de homenagem... 

Andamos por aqui e por ali,
sem saber bem porquê.
Somos levados pela melancolia,
pelo desespero,
toldados pela tristeza.
Encontraste-me ali,
quieto e só,
parado e cinzento.
Talvez tenhas pulado, falado muito,
talvez,
talvez tenhas dançado, gritado,
talvez,
mas foi o teu sorriso que me fez sair
da rua da amargura. by @tiagaotsf
5
a month ago
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Das coisas que me encanitam....
Primeira edição, o livro saiu a semana passada. Fiz a encomenda de olhos fechados e fiquei surpreendido quando mo deram para a mão!

Mau, então, mas, que é que...nem uma capa dura para começar, @editorialplaneta? Assim, tapa blanda como quem não quer a coisa?

Epá! Tenho de deixar de fazer encomendas de olhos fechados, pelo menos para não ser surpreendido.

A vossa sorte é que isto promete.
(as primeiras onze páginas já me subiram a tensão, sr. @jorgediaz1962!) by @tiagaotsf
1
a month ago
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O Batman, o dos comics, das décadas de 1970, 1980 e 1990, é muito cá de casa. Há várias variações nesse espaço temporal, o estilo e o foco das histórias vai mudando, e a personagem cresce nos anos 1980, muito a partir da Crise nas Infinitas Terras e do Ano Um de Frank Miller.

Ora, andava com vontade de rever o primeiro Batman, de que só me lembro de ver quando estreou. Na altura, não me cativou, não sei bem porquê. Ontem, revi-o 

O filme encontra um Batman já estabelecido e o seu primeiro encontro com Joker, que já demonstra uma psicopatia, mas a anos-luz do Joker de Heath Ledger. 

Esteticamente está interessante, há uma indefinição temporal quanto ao espaço, aquela Gotham pode ser de diferentes décadas.

Imageticamente, há algumas homages à série de tv dos anos 1960, o filme não chega a ter um tom campy, mas há uma aura.

As personagens são esboços, o Batman/Bruce Wayne é um protótipo de personagem, literalmente uma personagem de papel, sem grande espessura. Batman fala mais do que Wayne. E é aqui que tenho um dos primeiros problemas com o filme, os diálogos são péssimos, básicos, dei por mim e atirar para o ar as próximas falas e a acertar em várias.

O guarda-roupa é interessante, mas o tom negro e gótico Burtoniano dificulta a visualização, exemplo, o fato de Joker e dos seus lacaios não sobressai como devia. É é retirado directamente dos comics. 

Uma coisa que me irrita solenemente é a forma como a música ocupa as cenas, não diegeticamente, mas incomodativamente.

Jack Nicholson parece estar a fazer um frete, não encarna a personagem, parece estar a parodiar um acto de vaudeville sem sequer o fazer.

Kim Basinger era lindíssima, mas a sua actuação baseia-se somente nesse facto. É a mesma actriz de La Confidential? Not yet. 

Um facto curioso e completamente desperdiçado nos Batman de Burton é Harvey Dent ser negro. É introduzido logo no início e descartado. 

Continuo sem me convencer com esta primeira incursão de Burton em Gotham. Vamos lá a ver se o Returns melhora a coisa. by @tiagaotsf
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2 months ago
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O cuidado gráfico da @todavialivros é bestial.
#livros #todaviaeditora #domenicostarnone #laços by @tiagaotsf
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2 months ago
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Férias 2026 Livro 9

The Herectic de Liam McIlvaney é o segundo volume da série de Di Duncan McCormack, passada em Glasgow, agora em 1975.
O primeiro volume foi um livro em que me custou entrar, nem sei bem porquê. Comecei-o a ler duas vezes e só à terceira é que o consegui ler de fio a pavio. Foi uma leitura obrigada, até mais de meio estava a ler por obrigação. 
Experiência diferente com este segundo volume. Neste The Heretic, mcIlvaney aumenta a parada, no primeiro volume já nos apresentara o submundo de Dublin, agora há uma luta pelo domínio; uma força policial podre e um serial killer, agora, seis anos depois dos eventos anteriores, McIlvaney aumenta o escopo da narrativa, trazendo os medos dos anos 1970 com os ataques terroristas e o poder corrupto dos políticos, numa história bem maior do que a primeira. by @tiagaotsf
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2 months ago
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Almost done with the holidays, vancances, férias, whatever... by @tiagaotsf
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2 months ago
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#gouveia #camaramunicipaldegouveia by @tiagaotsf
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2 months ago
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Férias 2026 - livro 8

Vidas Secas de Graciliano Ramos

Fabiano. Sinhá Vitória. O menino mais velho. O menino mais novo. Baleia, a cadela.

É esta a família que seguimos ao longo do livro, uma família de retirantes a fugir da seca do sertão. No primeiro capítulo encontram uma casa, pensam, abandonada. Acompanhamos, então, a sua vivência explorados pelo patrão.

13 capítulos, que funcionam como contos.

Fabiano quase não comunica oralmente, sente-se explorado e sonha matar quem o explora. Sinhá Vitória é mais inteligente que o marido, sonha com uma cama como a do antigo patrão. A cadela Baleia é a personagem mais humana, também a que tem os pensamentos mais complexos. Os filhos, contrariamente, não têm nome, desumanizados pela pobreza, andam muitas vezes quase nus e brincam com a cadela.

Os humanos são animalizados, a cadela humanizada.

São vidas sofridas, a família pouco comunica, nem sabe como, faltam-lhes palavras, sonham com subir o degrau social, tentam sobreviver.

Vidas Secas é um livro de linguagem seca, sem grandes recursos estilísticos, secura de linguagem que serve a narrativa, tanto quanto a seca do sertão. 

#vidassecas #gracilianoramos #leiturasdeférias #literaturabrasileira #leiturasdeverão by @tiagaotsf
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2 months ago
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#folgosinho #folgosinhoserradaestrela #ferias #bw by @tiagaotsf
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2 months ago
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