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fbaul • pintura @andrxsr
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𝒉á 𝒅𝒆 𝒄𝒓𝒆𝒔𝒄𝒆𝒓 __ ensaio fotográfico taken in Belas-Artes ULisboa by @andrerabaco
2
3 months ago
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por cada flor que morre, 
um novo botão há de crescer.
a primavera entende a mágoa que percorre
o inverno, sinónimo de morrer.
e por cada pétala que cai, 
cresce pequeno espinho planeado.
memoriza-se a dor que sai 
da terra, num formato desenformado.
com espaço para crescer 
e euforia de nova vida, 
uma flor que já se viu morrer,
modela o dano de pétala ou folha caída.
por acaso, a vida é feita de memória,
mas a morte assim também o é.
onde partem caule em raiva calórica, 
fortalecem tronco que se aguenta em pé.
quando a flor retorna à terra, 
acreditem que ela voltará a crescer.
fragilidade jamais foge a guerra, 
quando não tem medo de morrer.

—— 
vestígios de 𝒉á 𝒅𝒆 𝒄𝒓𝒆𝒔𝒄𝒆𝒓
🌾🌷🌻🪻💐

45%, 2026
madeira, terra, cola branca e proliporifeno, 100x100x100 cm

——
por cada flor que morre, 
um novo botão há de crescer.
a primavera entende a mágoa que percorre
o inverno, sinónimo de morrer.
e por cada pétala que cai, 
cresce pequeno espinho planeado.
memoriza-se a dor que sai 
da terra, num formato desenformado.
com espaço para crescer 
e euforia de nova vida, 
uma flor que já se viu morrer,
modela o dano de pétala ou folha caída.
por acaso, a vida é feita de memória,
mas a morte assim também o é.
onde partem caule em raiva calórica, 
fortalecem tronco que se aguenta em pé.
quando a flor retorna à terra, 
acreditem que ela voltará a crescer.
fragilidade jamais foge a guerra, 
quando não tem medo de morrer.

—— 
vestígios de 𝒉á 𝒅𝒆 𝒄𝒓𝒆𝒔𝒄𝒆𝒓
🌾🌷🌻🪻💐

5% I, 2026
fotografia digital

——
por cada flor que morre, 
um novo botão há de crescer.
a primavera entende a mágoa que percorre
o inverno, sinónimo de morrer.
e por cada pétala que cai, 
cresce pequeno espinho planeado.
memoriza-se a dor que sai 
da terra, num formato desenformado.
com espaço para crescer 
e euforia de nova vida, 
uma flor que já se viu morrer,
modela o dano de pétala ou folha caída.
por acaso, a vida é feita de memória,
mas a morte assim também o é.
onde partem caule em raiva calórica, 
fortalecem tronco que se aguenta em pé.
quando a flor retorna à terra, 
acreditem que ela voltará a crescer.
fragilidade jamais foge a guerra, 
quando não tem medo de morrer.

—— 
vestígios de 𝒉á taken in Belas-Artes ULisboa by @andrerabaco
8
3 months ago
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uns pequenos olhinhos, 
que na esquina se davam a observar
três mulheres e três ovinhos,
provavelmente, acabados de apanhar.

de 𝐑𝐞𝐜𝐞𝐢𝐭𝐮á𝐫𝐢𝐨: 𝐂𝐨𝐦 𝐏𝐚𝐩𝐚𝐬 𝐞 𝐁𝐨𝐥𝐨𝐬, 𝐬𝐞 𝐄𝐧𝐠𝐚𝐧𝐚𝐦 𝐨𝐬 𝐓𝐨𝐥𝐨𝐬 

🍰 taken in Belas-Artes ULisboa by @andrerabaco
3
7 months ago
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𝑩𝒂, 𝑲𝒂, 𝑺𝒉𝒆𝒖𝒕 & 𝑹𝒆𝒏
—

um dia ensinaram-me que,
para conseguir adormecer,
teria de contar de forma decrescente,
do mil ao zero
(ou de um milhão a tal,
se a noite estivesse muito difícil).
hoje em dia,
durmo em sequência,
tenho os sonos prontos e estabelecidos,
porém continuo a contar.
conto da meia-noite às sete da manhã,
na hora do grilo e do rouxinol.
a minha almofada aprendeu a estatística
e o meu lençol conhece as somas e as subtrações.

no entanto, na noite em que chegar ao zero,
o sono acaba
e a morte começa.
—

No Antigo Egipto para fugir, não só à morte física mas, também, ao esquecimento (a Segunda Morte), os egípcios realizavam rituais para preservar as variadas partes da alma, entre elas: 𝑩𝒂 (a personalidade, que viajava entre o mundo dos vivos e os mundos além); 𝑲𝒂 (a energia vital, que necessitava de oferendas); 𝑺𝒉𝒆𝒖𝒕 (a sombra, o reflexo inseparável do ser) e 𝑹𝒆𝒏 (o nome do falecido).

Com esses rituais realizados, o esquecimento deixava de ser uma ameaça.
—

lembranças de Ú𝒍𝒕𝒊𝒎𝒂 𝑯𝒐𝒓𝒂 🛏️ taken in Belas-Artes ULisboa by @andrerabaco
1
a year ago
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𝑮𝒖𝒂𝒓𝒅𝒂 𝒂 𝑭𝒊𝒍𝒉𝒂, 2025
vídeo, 3’24’’

—
ó, ferreiro, guarda a filha
não a ponhas à janela
que anda aí um rapazinho
que não tira os olhos dela

—
de: 𝘼𝙁𝙊𝙉𝙄𝘼 e 𝘾𝙖𝙨𝙖 𝙙𝙤 𝙀𝙘𝙤 by @andrerabaco
0
a year ago
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𝑪𝒂𝒔𝒂 𝒅𝒐 𝑬𝒄𝒐 no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor – dia 19 de julho até dia 6 de setembro de 2025

@pontedesor.artes.cultura 

—

na minha cabeça só existem fantasmas, 
que fogem-me ao toque e renunciam-me o abraço.
são etéreos e transparentes,
mas transmitem presença e provocam arrepio. 

eu não os vejo, 
mas, certamente, sou observado
quando passo de divisão em divisão 
nesta casa cheia.
casa essa que é habitada por muitos, 
mas abandonada pelos restantes.

encontro atividade etérea, 
quando retorno, cansado, a casa: 
as malas desfazem-se instantaneamente 
após as pousar no chão frio;
as cobertas da minha cama tornam-se frias, 
mesmo no mais caloroso verão;
na manta que havia estendido no chão, 
oiço o constante raspar de pastel seco em papel cru;
assemelha-se ao riscar obsessivo que oiço
nos cadernos e nas agendas ansiosas
que encontro na secretária; 
a roupa acumula-se, sistematicamente, 
ao redor da televisão, 
mesmo que eu não as tenha usado;
por fim, a mesa de comida, 
rapidamente se esvazia, 
ansiosamente e compulsivamente. 

há um único canto que é intocável
— sagrado e profano.
cheira a termentina e óleo de linhaça, 
lágrimas e risadas. 
cheira a escape e a conforto.

lá, pinto o que encontro nesta casa, 
o que observo através das janelas vazias, 
quem a visita, uma vez por outra, 
e quem lá ocupa espaço e lugar. 
pinto o reflexo e pinto o eco. 

tudo e todos tornam-se alvos na casa do eco. 
os fantasmas assombram-me quase tanto 
como eu os pinto.
os meus dedos queimam em contacto com a termentina,
na mesma forma que os vultos me causam susto no coração.

na casa do eco, eu sou fantasma.
sou visita e residente, 
sou criador e criatura.
sou o silêncio depois do som,
sou o eco que responde e que não se desfaz. taken in Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor by @andrerabaco
0
a year ago
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𝑨 𝑹𝒊𝒃𝒆𝒊𝒓𝒂 𝒅𝒂𝒔 𝑵𝒂𝒖𝒔, 2025
acrílico e óleo sobre tela, 100x100 cm

— 
𝙖𝙗𝙚𝙘𝙚𝙙á𝙧𝙞𝙤

eu quero escrever 
mas o meu peito não larga as palavras.
ele quer só para si, para observar e rever,
todas as mágoas e paixões escravas. 
aquelas que eu senti 
e gostava de resumir, 
observo-me sem ti 
e impossibilito-me da ação do deixar ir.

sempre que o tento fazer,
escrever o que o meu peito tanto quer guardar, 
olho para a minha figura sem querer
e observo-me a observar
as letras do alfabeto no meu teclado:
o A amargo e o D dolorido, 
lembro-me do sorriso de um J deslocado
e o G ainda agora sentido.

eu quero escrever, 
mas o meu peito não me deixa.
pressiono os meus dedos frios e a doer
no G de Gasolina e no A de Ameixa. 
eu pressiono mais uma vez, 
tento expulsar o que o meu peito tanto guarda.
o J dá por si a sorrir invés 
de voltar para o amor que o aguarda. 

o teclado transforma o D numa figura triste,
não porque ele simplesmente quer, 
junta-se um G à equação e ele ri-se 
da pessoa que ele achava ser. 
DG não se junta em ditongo, 
falta uma ou duas vogais.
o A triste com traço longo,
no entanto, funciona sozinho sem sinais.

sinais de quem efetua o ato de escrever 
ou achava que efetuava,
o meu peito já não o deixa fazer 
já não acreditava num abecedário que o amava.
o A afastou-se por si, 
o D gosta de arrastar o meu peito pelo caminho, 
o G acredita-se maior e sorri
por um J, que agora caminha sozinho. 

o meu peito não me deixa escrever,
isto porque está farto de letras.
as consoantes, sozinhas, não se conseguem ler, 
embora, escritas em tintas pretas.
as vogais, no entanto, 
que têm trajetória independente, 
ficam sozinhas no seu triste canto, 
ou coladas a um T ou F que mente.

enquanto eu sentir o peso das letras, 
o meu peito nunca irá permitir o teclar.
o abecedário é feito de tretas 
e o meu coração é o único que me tenta salvar. 
este teclado torna-se imprevisível, 
e é o maior vício que dá para ter. 
as letras tornaram-me invisível:
eu próprio não sou A, 
sem me lembrar de outro A qualquer. 

—
de: 𝘼𝙁𝙊𝙉𝙄𝘼 e 𝘾𝙖𝙨𝙖 𝙙𝙤 𝙀𝙘𝙤 by @andrerabaco
0
a year ago
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𝑨 𝑻𝒂𝒑𝒂𝒅𝒂 𝒅𝒂𝒔 𝑵𝒆𝒄𝒆𝒔𝒔𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆𝒔, 2025
acrílico e óleo sobre tela, 100x100 cm

—
[os teus passos sabem a jasmim 
e o teu toque sabe a tesouro.
sê atena, pensa em mim;
ou rei midas e transforma-me em ouro.]

—
de: 𝘼𝙁𝙊𝙉𝙄𝘼 e 𝘾𝙖𝙨𝙖 𝙙𝙤 𝙀𝙘𝙤 by @andrerabaco
0
a year ago
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𝑶 𝑶𝒄𝒆𝒂𝒏á𝒓𝒊𝒐, 2024
acrílico e óleo sobre tela, 80x50 cm

—
[odeio ter de ser uma versão 
que fui e que achava que já tinha sido.
no entanto, sofro aqui calado,
tremo aqui sentado, 
permaneço sozinho neste vazio.]

—
de: 𝘼𝙁𝙊𝙉𝙄𝘼 e 𝘾𝙖𝙨𝙖 𝙙𝙤 𝙀𝙘𝙤 by @andrerabaco
0
a year ago
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𝑶 𝑴𝒆𝒖 𝑸𝒖𝒂𝒓𝒕𝒐 & 𝑶 𝑻𝒆𝒖 𝑸𝒖𝒂𝒓𝒕𝒐, 2024
óleo e acrílico sobre tela artesanal com cortinas, 200x160 cm

— 
í𝙢𝙖𝙣 𝙙𝙚 𝙙𝙚𝙨𝙞𝙡𝙪𝙨õ𝙚𝙨 

eu sou um íman de desilusões.

o meu coração emana fogo
e os meus olhos vertem sangue.
espero, pacientemente, enquanto sofro, 
por uma resposta da pessoa que amo.
resposta que eu sei que não virá, 
porque eu sou um íman da desilusão.
o triste homem, no entanto, senta-se e sentará 
na esperança de que não lhe caia, de novo, o chão. 
mas, se cair e causar estrondo, 
o homem ou eu, atordoado, há de se erguer.
lágrimas escarlates e coração queimado estão dispondo
o quão, o triste, está determinado a sofrer. 
o sofrimento é constante 
porém a esperança apaga a dor.
cada sonho é guardado na gaveta da minha estante 
para não me lembrar do seu amargo e irreal sabor.
eu sou um íman de desilusões, 
e choro semanalmente por tal.
acordo com sustos e com lesões, 
por achar que o pesadelo era real. 
pesadelo utópico e estendido como meu cobertor, 
que desejava abraçar todas noites… 
ajudar a esconder a dor 
e as marcas sangrentas de um chicote e de um açoite, 
que me atiraste à cara e ao coração,
tu sabes que eu sou um íman de desilusões 
mas, mesmo assim, espero por ti em vão.

— 
de: 𝘼𝙁𝙊𝙉𝙄𝘼 e 𝘾𝙖𝙨𝙖 𝙙𝙤 𝙀𝙘𝙤 by @andrerabaco
1
a year ago
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𝑫𝒆𝒄𝒓𝒆𝒔𝒄𝒆𝒓, 2024
vídeo, 4’19’’ by @andrerabaco
4
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𝑩𝒆𝒊𝒋𝒂 𝑭𝒍𝒐𝒓, 2024
fotografia 

— 
algumas fotografias tiradas nas gravações de 𝑺𝒆𝒕𝒆 e 𝑺𝒆𝒕𝒆 𝒆 𝒎𝒆𝒊𝒐

—
𝙥𝙚𝙨𝙩𝙞𝙘𝙞𝙙𝙖𝙨

estou farto de apanhar ervas daninhas,
sorrir e fingir que são florzinhas —
malmequeres, tulipas ou venenos. 
odeio todos os sentimentos amenos. 

podem destruir o cultivador,
as flores cheias de bolor, 
a esconder a sua própria dor, 
mas tratem de recordar, 
que é um jogo de memória o ato de cultivar:
sei como é ter raízes, 
sei renascer depois de queimado,
as folhas são as minhas expressões felizes, 
consigo florir em todo o lado!

foda-se os malmequeres!
odeio as pás e os talheres!
vou arrancar um por um, 
destruir todos, apagar o comum!

eu pratico o cultivo, 
mas recordem o meu aviso:
um cultivador repleto de motivos homicidas, 
pode-se tornar num milhão de pesticidas!

—
de: 𝘾𝙖𝙨𝙖 𝙙𝙤 𝙀𝙘𝙤 by @andrerabaco
5
a year ago
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