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✸ criação de conteúdo para psis com foco cinematográfico
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um pouco do meu timezinho do coração ♥️

além da equipe oficial, também temos parceiros terceirizados que contribuem para os trabalhos por aqui, como gestores de tráfego, editores de vídeo e serviços que exigem uma necessidade pontual. ⭐️ by @clasenstudio
28
17 days ago
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“Acho que as pessoas são pervertidas. Sempre acreditei nisso. É a base de toda a minha carreira.”

Pela minha leitura, essa frase de David Fincher é um bom ponto de entrada para entender seu cinema, não porque reduza sua obra a uma visão cínica da humanidade, mas porque revela o tipo de desconfiança que organiza seus filmes. Fincher não parece interessado em personagens inocentes diante de um mundo corrompido; ele se interessa justamente pela parte menos apresentável das pessoas, aquela que continua existindo mesmo quando tudo ao redor parece civilizado, organizado e moralmente justificável.

A perversão, aqui, não precisa ser entendida apenas no sentido sexual ou patológico, mas como desvio. Como a força que faz uma instituição civilizada esconder violência, um casamento esconder vingança, uma investigação esconder obsessão, uma amizade esconder disputa narcísica e uma busca por justiça esconder fascínio pelo horror. O cinema de Fincher vive nessa linha tênue entre a aparência e aquilo que apodrece dentro dela.

Por isso, seu controle técnico não é apenas uma marca de perfeccionismo, mas parte do próprio comentário moral de sua obra. A câmera precisa ser precisa porque seus personagens também querem precisão. Eles querem controlar a narrativa, culpa, imagem pública, o desejo e a reputação.

Fincher parece dizer que a perversidade humana não está apenas nos extremos ou nas figuras evidentemente desviantes, mas também nas pequenas distorções da vida comum. É por isso que seus filmes não mostram o horror como algo totalmente externo a nós. Existe sempre uma cumplicidade estranha entre quem faz, quem assiste e quem tenta compreender. Em Fincher, olhar também é participar de alguma forma. Ele não faz com que a pergunta seja apenas “quem fez isso?”, mas também por que continuamos olhando.

Ele filma o mal sem permitir que a gente permaneça completamente fora dele. A perversão, em Fincher, está na forma como uma sociedade inteira aprende a assistir, justificar e consumir aquilo que diz repudiar. by @clasenstudio
4
19 days ago
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ahhhh a sétima arte. ♥️ by @clasenstudio
7
a month ago
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Uma curadoria cinematográfica de tudo aquilo que a Psicologia preenche, feita com muito carinho para todos os(as) psis que atendo, que me acompanham e para quem acabou de chegar.

Feliz por ter escolhido um nicho que me emociona tanto.

No dia 27 de agosto de 1962, foi publicada a Lei nº 4.119/62, que regulamentou a profissão de psicólogo no Brasil e também dispôs sobre os cursos de formação em Psicologia, fazendo dessa data um marco de reconhecimento da Psicologia como ciência e profissão no país.

Direção criativa e roteiro por @clasenstudio 
Edição por @aamandasntss (estudante de psicologia)
Pesquisa de arquivo e curadoria visual @gabrielaclasen e @aamandasntss 

Música Radiohead — Fake Plastic Trees em arranjo orquestral por Epic Orchestra, ou Ludovico Einaudi — Experience, live from Teatro dal Verme, Milano.

Materiais de arquivo, referências visuais e trechos consultados a partir de Freud Archives Videos, BBC Face to Face com Carl Gustav Jung, British Psychological Society, Conselho Federal de Psicologia, PBS NOVA, Piaget on Piaget, Day at Night: B. F. Skinner, Three Approaches to Psychotherapy / Gloria, Stutz, além de cenas e referências audiovisuais de filmes e séries. by @clasenstudio
98
a month ago
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Tarantino, um ex-funcionário de locadora e desistente do ensino médio que mudou a face do cinema moderno, fez uma das coisas mais interessantes que um diretor aclamado como ele poderia fazer: transformou seu repertório de locadora em cinema autoral. Ficou famoso por pegar coisas consideradas “menores”, como filmes de kung fu, faroeste spaghetti e thrillers baratos, e tratá-las como matéria-prima nobre, sem seguir os caminhos tradicionais para fazer algo grandioso.

Ele é ótimo em fazer uma cena parecer banal e, ao mesmo tempo, insuportavelmente tensa.

A principal parte do que mais admiro em seu trabalho é como ele mudou o ritmo do cinema nos anos 90. Antes de Pulp Fiction, por exemplo, o cinema americano comercial tinha uma lógica mais direta, seguindo a trama do jeito que precisava ser. Tarantino chegou fazendo um filme criminal que parece um romance picotado, cheio de histórias paralelas, personagens falando coisas banais enquanto estão em situações absurdas. Literalmente um cara que olha para uma sequência cinematográfica bem bonitinha e diz: “vamos mexer nisso aqui tudo”.

Ele acredita no prazer do cinema e não faz filme com vergonha de ser filme. Tem diretor que tenta esconder a artimanha para parecer “vida real”. Tarantino não. Ele quer que você sinta o cinema enquanto cinema. Ele é profundamente cinéfilo e meio infantil nesse sentido bom: ainda vibra com a possibilidade de uma cena ser “do caralho”. by @clasenstudio
7
2 months ago
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Um dos motivos do meu nicho ser especificamente voltado ao cinema é simplesmente porque todo mundo assiste filmes. Não tem uma alma viva que não goste de pelo menos um filme ou que não conheça pelo menos dez.

Filmes são universais. Eles falam com a gente através de emoções, tristezas, medos e todas as sensações possíveis que podemos sentir. A psicologia não capta atenção através de algo invasivo — e nem deveria tentar. Então, o que melhor do que filmes para transmitir conexão e identificação de uma maneira sutil?

Quando reassisti aos filmes de Legalmente Loira e a nova série, essa foi a primeira coisa que pensei quando percebi a movimentação da Elle ao usar suas próprias experiências para conseguir o que quer e o que precisa. E a melhor parte de tudo isso é que ela faz tudo de forma ética e respeitosa. Ela não precisa passar por cima de ninguém, fingir ser quem não é ou trapacear para obter as informações de que precisa.

Mesmo quando tem uma informação valiosa para os outros advogados (como o álibi da Brooke no primeiro filme) ela respeita o pedido de Brooke de não contar sobre aquilo e ganha o caso sem precisar expor quem confiou nela.

Isso me lembrou muito a psicologia, principalmente quando pensamos na criação de conteúdo no Instagram e em um marketing mais sensível. Precisamos respeitar a ética do CRP, a conexão sutil entre paciente e profissional e uma comunicação que não ultrapasse os limites de ninguém. E parte disso também passa por não precisar abrir mão de quem você é. Você, como profissional, é uma extensão de quem você é como pessoa. As duas coisas não precisam ser totalmente separadas.

Dá para fazer isso de um jeito autêntico e original, fazendo com que você seja constante, frequente e presente no seu perfil simplesmente porque ele é seu e te dá prazer em usar. Porque ele não te obriga a ser outra pessoa, virar influencer ou fazer coisas que você não quer fazer ali dentro. E isso é muuuuito possível!✨ by @clasenstudio
13
2 months ago
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Chegou o momento dele, o querido da psicanálise.

David Lynch é um cineasta conhecido por sua “esquisitice”. Não é o tipo que agrada a todos, mas também não parecia ser do interesse dele fazer isso.

Lynch sempre teve uma relação particular com sonhos, mas não no sentido de colocar uma cena onírica e depois explicar o que aquilo significa. Você não “entende” um sonho apenas perguntando o que ele quer dizer. Muitas vezes, acorda com uma sensação, e Lynch queria preservar isso. Você pode não entender tudo em um filme dele, mas quase sempre entende como aquilo te fez sentir.

Apesar de ter filmes cheios de pesadelo, violência e medo, uma das contradições mais bonitas é que ele sempre foi visto como alguém calmo e engraçado. Ele atribuía muito dessa calma à meditação transcendental, ligada a novas ideias, expansão de consciência e mergulho no inconsciente. Mas o inconsciente não era só horror. Ele também via esse lugar como um oceano de ideias.

Um tema muito forte em Lynch é: eu sou mesmo quem eu acho que sou?

A psicanálise também desconfia da ideia de um “eu” transparente para si mesmo. A gente não sabe tudo que deseja, teme ou repete. Lynch filma esse “eu rachado”. Por isso, em muitos filmes dele, a identidade escapa. A pessoa não é só uma pessoa, a casa não é só uma casa, o sonho não é só um sonho. Tudo pode esconder uma coisa, ou revelar outra.

Para muita gente, mistério é algo que deve ser resolvido. Para Lynch, mistério é algo que deve ser preservado. Talvez por isso ele seja o terror de muita gente nessa era digital, em que quase não sabemos lidar com desconforto. A gente se acostumou com o algoritmo entregando o que já gostamos e entendemos. Lynch vai pelo caminho oposto: não entrega tudo mastigado e nem fecha a experiência.

Isso incomoda, porque a gente quer explicação, “final explicado” e alguém dizendo o que era real, sonho ou símbolo. Mas a força de Lynch está justamente em não reduzir a experiência a uma resposta. Ele entende que algumas imagens não foram feitas para serem resolvidas, mas para ficarem dentro da gente. by @clasenstudio
3
2 months ago
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não tem nada mais lindo que a atenção ♥️ atenção é vitalidade, ela conecta você aos outros. by @clasenstudio
11
2 months ago
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Esta pesquisa partiu de uma análise própria do diretor com base em citações, artigos e pesquisas.

Entender o universo de Burton é olhar para o outro lado da moeda. O lado das pessoas que não se identificam com a leveza obrigatória, a ideia de adaptação a qualquer custo ou com a promessa de que basta “se aceitar” para que tudo se resolva. E essas pessoas estão em toda parte.

São pessoas que talvez não se vejam nos modelos mais óbvios de saúde, sucesso ou sociabilidade, mas que se reconhecem imediatamente quando encontram um personagem estranho, solitário ou incompreendido sendo tratado com delicadeza.

Esta análise não tem intenção de transformar Tim Burton em teoria psicológica, nem para reduzir seus filmes a conceitos fechados. Mas para observar como seu cinema pode servir como ponte, repertório e linguagem possível para falar com quem se sente outsider, introspectivo, melancólico ou simplesmente diferente demais do restante.

Burton não tenta tornar seus personagens “normais” para que eles possam ser amados. Ele cria um mundo onde a estranheza deles também tem beleza, dor, humor, desejo e humanidade. E, para quem passou muito tempo sentindo que precisava esconder alguma parte de si, isso não é pouca coisa. ♥️ by @clasenstudio
51
2 months ago
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Eu podia dedicar o espaço dessa legenda pra falar um pouquinho de tudo de extraordinário que Christopher Nolan já fez em vários dos seus filmes, mas vou deixar esse espaço para falar um pouco sobre A Odisséia, que estreia hoje nos cinemas.

A Odisséia é o primeiro longa-metragem gravado inteiramente com câmeras IMAX, o que por si só já diz muito sobre a grandiosidade desse projeto e como Nolan continua tratando cinema como uma experiência única.

Além dos processos extremamente analógicos e manuais que Nolan faz questão de colocar em seus filmes, ele é um dos diretores mais humanos que eu já vi. Em meio a brigas por quem usa IA em seus filmes ou não, Nolan não dispensa de maneira alguma a possibilidade de encarar a humanidade como parte principal dos projetos. Nesse novo filme, por exemplo, foi usado um navio real, construído com técnicas tradicionais vikings e a própria tripulação do navio que participou das filmagens como figurantes.

O próprio Nolan disse que queria abraçar a “fisicalidade do mundo real”, fazendo questão de filmar em locações reais, passando por países como Marrocos, Grécia, Itália, Islândia e Escócia. É uma produção gigantesca, beirando os 250 milhões de dólares que ainda assim carrega essa obsessão dele por fazer o cinema parecer físico, humano e possível de ser tocado.

Alguns ingressos para sessões IMAX 70mm do fim de semana de estreia foram à venda 1 ano antes do lançamento, e várias sessões esgotaram rapidamente. As pessoas não precisavam saber tudo sobre o filme, bastava saber que era um filme do Nolan. Inclusive, Robert Pattinson contou que foi o único ator que pediu para ler o roteiro antes de aceitar participar, demonstrando o tipo de confiança que poucos diretores conseguem construir, não só pela genialidade, mas pela forma como conduzem o trabalho. Nolan é muito conhecido por esse rigor absurdo, mas também por criar um ambiente de set muito respeitoso, simples e humano. 

Que privilégio viver em um mundo e em uma geração em que Nolan ainda está nos apresentando filmes cada vez mais incríveis para o nosso cinema. O cinema está longe de estar perdido, e Nolan está aí pra nos provar isso. by @clasenstudio
86
3 months ago
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Por mais que a gente tenha perdido esse ano 2x pra Noruega (no Oscar e na Copa) é simplesmente inegável o carinho do povo brasileiro em momentos como este. Foi uma linda trajetória, que tempo de qualidade vivi com pessoas queridas. by @clasenstudio
15
3 months ago
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“Eu nunca mais bati meus trens, mas assisti àquela batida várias e várias vezes.” — Steven Spielberg, o nosso diretor da aventura.

Quando criança, Spielberg viu O Maior Espetáculo da Terra e ficou apavorado com uma cena de acidente de trem. Em vez de só fugir desse medo, ele começou a recriar colisões com seus trenzinhos e a filmar aquilo com a câmera 8mm do pai. Ele mesmo já contou que filmar aquilo ajudou a acalmar o medo, como se ver a cena repetida, agora dentro de um enquadramento que ele controlava, tornasse aquilo suportável.

E é aqui que, pra mim, Spielberg se aproxima muito da psicologia. Não necessariamente porque ele desenvolve personagens sempre super complexos em camadas individuais, mas porque ele entende muito bem a psicologia da experiência. Ele trabalha muito nesse lugar que filma a aventura como uma forma de atravessar o medo.

Outra curiosidade é que ele foi rejeitado pela escola de cinema da USC, uma das mais famosas dos Estados Unidos. Isso acabou virando uma daquelas histórias motivacionais, mas o interessante é que ele se formou muito mais pela prática do que por uma rota acadêmica. Quando vieram as rejeições, ele já estava tentando se aproximar da Universal como uma espécie de faz-tudo não remunerado. Ele inclusive queria dirigir James Bond e foi recusado mais de uma vez. Depois de Tubarão e de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, ele tentou se aproximar da franquia, mas não rolou. E aí George Lucas ofereceu algo “melhor que Bond”: o que viraria Indiana Jones. Ou seja, uma rejeição ajudou a criar uma das maiores aventuras do cinema.

Spielberg tem essa capacidade rara de fazer o extraordinário parecer emocionalmente familiar. Tudo parece tocar alguma coisa anterior, alguma memória de infância, algum medo primitivo e alguma vontade de olhar para o impossível e, ainda assim, continuar encantado.

Ele me parece um diretor que entende que a fantasia não existe para negar a realidade, mas para ajudar a gente a suportá-la de outro jeito. Ele pega aquilo que assusta e que fascina e coloca dentro de uma história. E quando uma coisa vira história, ela já não nos domina da mesma forma. by @clasenstudio
5
3 months ago
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