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-Psicóloga Clínica | CRP 13/9287
- Online e Presencial
-Pós graduanda em Psicanálise e Análise do Contemporâneo pela PUC-RS
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- Eu queria ter mais certeza das coisas. Não suporto não saber do que virá.
- Você sofre de certezas, e não de incertezas.. parece que tem certeza demais de que amanhã será de dúvidas, e não sabe o que fazer com elas.

Um saber pra evitar o sofrimento, é um sofrimento experimentado duas vezes. Um ensaio para o futuro, é uma vida evitada. A dúvida, o não saber, nos convoca a saber um pouco mais, e isso é maravilhoso. Saber demais é um saco, dói no juízo. Bom mesmo é saber algumas coisas, e outras se descobre, sem garantia alguma, pelo caminho. A gente só sabe caminhando. Li em um artigo da Silvia Lobo: “[…] Um vazio de conhecimento, e, dele não recuarmos teremos estímulo para o trabalho. Isso significa algum tipo de fé. Fé em que? Talvez em nada, apenas uma capacidade de ter fé; não uma fé nisto ou naquilo, mas uma fé, ou uma capacidade para a fé”. Winnicott (1961) “Não sei, mas talvez o desconhecido se faça ver, talvez, algum dia, distante ou breve, possamos vir a conhecer”. Certezas é uma forma diferente de morrer em vida. Não ter certeza nos livra do engessamento, nos convida ao criativo. Ninguém experimenta a empolgação de não saber sobre algo mais de uma vez. Um filme só não se sabe uma vez, um livro também. Embora cada experiência de revisitar também seja inédita, algo ja foi sabido. A vida pede um pouco de não saber para ela acontecer. Gosto da arte de saber sobre as coisas diante da dúvida, e pra isso Milton Nascimento canta: “Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada. Agora não espero mais aquela madrugada. Vai ser, vai ser, vai ter que ser faca amolada”. Em tempos de tantas certezas, a pergunta se coloca mais importante do que a resposta. Que saibamos perguntar, e sejamos criativos com as respostas, que na melhor das hipóteses, através delas, façamos mais perguntas. Pois a vida se faz naquilo que não entendemos muito bem. A vida acontece muito mais nas incertezas, no lugar das perguntas.. nas perguntas que impulsionam desejos. Que  não sejamos urgentes nas respostas, mas corajosos nas perguntas. 

Emanuella Henriques Souto Maior
CRP 13/9287 by @emanuellapsi
11
a year ago
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Brincar é a coisa séria mais divertida que temos by @emanuellapsi
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a year ago
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O amor é a saudade de casa, disse Freud. A busca por amor é sempre um retorno pro nosso primeiro encontro amoroso.. nosso lar. Lar útero, lar afeto, lar acolhimento, lar segurança. É como se por ele pudéssemos reencontrar esse cantinho quentinho deixado la atras. “Eu moro aqui. Aqui é o meu lugar”. Amor é pertencimento. Cozinha de casa, cheiro de comida na panela, barulho no almoço de domingo, todo mundo falando ao mesmo tempo, ou calmaria na rede, cheirinho de chuva no quintal, o arrastar das sandálias, o ventinho com cheiro de roupa recém lavada, o lugar de ser amado. “Se nada der certo, volte.. você tem um lugar”. O amor é um retorno. A gente ama como foi amado. O amor não é uma garantia ao nascer, mas é através desse lar que retomamos todas as vezes à cena do amor. E como é forte a pessoa segura de ser amada, também disse Freud mais ou menos com essas palavras. Pois bem, as paredes desgastam, a madeira da mesa que todos se reuniam ao redor se desfaz, os pratos se quebram, a cadeira começa a ranger, mas aquela força estranha chamada lar permanece. E é para ele que sempre retomamos. O amor é casa, onde encontro morada quando a saudade desse lugar insiste em habitar. E como canta Caetano, “saudade até que é bom, melhor que caminhar vazio”. Que a saudade nos lembre que o amor é morada.

“Mas era feita com muito esmero
Rua dos bobos, numero 0” by @emanuellapsi
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a year ago
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“Os nós que apertam não necessariamente são os nós seguros. Os nós seguros se fazem no jeitinho”

Alguém me olhou. Aqueceu meu corpo frágil e apontou os dedos pro mundo. Alguém me sustentou, me embalou, me aninhou, disse quem sou. Alguém se preocupou, continuou, me deu ritmo. Eu me vi. Eu disse quem sou. Neguei ser quem me disseram. Depois disso me veio: Nós é feito de gente! De um bocado de nós. A gente é feito de gente, do olhar de gente, de pele de gente. É de gente que se faz gente, tecido se multiplicando, átomos, moléculas, células, um emaranhado de todas essas coisas que dão nomes. E nos dão nomes, você se chamará Maria, você Francisca, essa outra Joana. Nos dão sonhos, nascidos de desejos, criados de passados, de histórias, de tradições, nos dão continuidade. A gente se faz de gente, laços, conexões que dão consistência a nossa existência. Somos feitos de passados ficados, disseram com uma certa sabedoria. eu gosto do que criamos aqui nessa vida. Algumas pessoas vão, isso é certo, porque a vida também compreende as partidas, mas algo delas também fica, perpetuações continuadas em nós, porque alguém me olhou, me tocou, fincou. Nós somos feitos de gente fincadas, ficadas por ironia da vida. E a ironia da vida é essa também, a de que somos feitos de nós, feitos de gente. by @emanuellapsi
6
a year ago
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É assombroso ser pego despercebido pela câmera frontal do celular que se abriu sozinha. O espanto vem em seguida “isso não sou eu”, ou pelo menos não deveria. “Você sabia que as câmeras do celular distorcem a nossa imagem? Não podemos confiar no que a gente vê ali”. Você não é exatamente aquilo, também não é uma imagem completamente diferente, manchada por distorções sejam elas das lentes das câmeras, ou outras. Mas tudo meio que é. O que vemos virtualmente não é realidade, mas é como se fosse. Ela tem potência de realidade. Quem nunca se pegou rindo pelos dedos, usando mil teclas de kkkkk, rs rs rs, hahaha, e carinhas chorando de rir, enquanto se mantinha sério olhando pra tela brilhante do celular? Ou quando manda meme pra amiga, pro namorado, ou colega do trabalho. “Amiga veja isso, é a gente”, “Sou eu”, “É tu”. Sequer passa por representação em palavra. Não existe mais o aqui e agora, é vazio de temporalidade.. é tudo em todo o canto ao mesmo tempo. São nômades e dispersos. Um efeito moebius, com sua passagem do interior para o exterior, relações de publico e privado, objetivo e subjetivo. É uma imagem de si mesmo lançada ao mundo. Tudo isso nos coloca em crise com a identidade clássica, sem obedecer limites antes conhecidos, causando grande impacto em nosso processo de subjetivação. O virtual ocupando o lugar do sonho, da fantasia, sem que seja representado. Um excesso de discurso, que embora nos coloque em contato com o outro, nos aliena.. Pois esse outro é muito contaminado por meus efeitos narcísicos. Uma prisão na produção de imagens de si mesmo, um delírio, sem uma atualização, um compartilhar com o outro. Se antes produzíamos sonhos, que seriam as primeiras traduções do nosso inconsciente, que depois passariam por várias outras traduções e atualizações, passando pela palavra.. hoje nós produzimos conteúdo. As fantasias apocalípticas tomam status de realidade, microchips, implantes, modificações corporais, inteligências artificiais.. uma selva inteira de fantasias reais em demasia para o homem dar conta. 

Continua… by @emanuellapsi
7
a year ago
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Dias especiais ao lado dessas pessoas queridas que compõe o grupo Winnicott Paraíba. Como foi delicioso compartilhar, aprender e criar ao lado de vocês. Meus sinceros agradecimentos a @etw_fortaleza pela construção da Prosa Nordestina sobre o pensamento de Donald Winnicott. Boas expectativas para a próxima Prosa Nordestina que acontecerá aqui em João Pessoa, e pelo Brasileiro de Winnicott em setembro no Rio ♥️ by @emanuellapsi
4
a year ago
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❤️ by @emanuellapsi
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2 years ago
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"Dize tua relação com a dor, e te direi quem és". A dor carrega consigo uma cadeia de significados. 

Hoje, vivemos em uma sociedade paliativa, que nega a dor em troca da positividade, apoiada em um falso selfie. As redes sociais nos apresentam o puro suco da sociedade do nosso tempo, com suas vitrines de bem estar, nunca de dor, nunca próximo a isso, sempre o belo, bom e prazeroso. Nos anestesia como nos anestesiam os remédios, diante de uma tela barulhenta, cheia de informações, de cores, cenários, que nos transportam em questões de segundos aos mais variados modelos de prazer, ao alcance de um sutil arrastar de dedos, como em um passe de mágica.  

A sociedade paliativa se dissolve numa sociedade marcada pelo desempenho, e por isso a dor é um sinal de fraqueza. Não há espaço para a dor, tudo é pressa. Tudo precisa ser curtido. Tudo é extremamente IGUAL. 

Uma vida sem dor é uma vida coisificada. Um inferno do igual. A dor não pode ser levada ao desaparecimento, como nos lembra Jünger. A pandemia nos rompeu as vendas, e escancarou nossas marcas, nossos medos, nossas dores. Estávamos desacostumados.  

Vivemos sem a perspectiva do fim da pandemia das dores crônicas, pois o sujeito do desempenho guerreia contra ele mesmo. Multiplicam-se as dores. A luta constante contra a capacidade de sentir dor nos coloca em um ciclo sem fim de dores inarráveis. A dor é marcada como uma verdade. Vínculos verdadeiros doem. Amar dói. Sentir dói. Só conhecemos o bom, o feliz, pois existe o seu contraponto. E que bom que existe. Ele interrompe o ciclo do igual, do mesmo, do sempre assim, e nos apresenta algo totalmente novo.  

Lutar contra a dor é também lutar contra o que seremos no futuro, com o que permitiremos ser amanhã. A dor apresenta as novas possibilidades. Interrompe. Convida. Marca. Só sabe sentir quem se permite sentir. Uma vida vazia em dor, é uma vida sem vida. Sentir é propriedade de quem vive. E que nos livre de uma vida sem sentidos. A dor nos aponta algo inteiramente novo, uma nova possibilidade. É possível encarar a dor com outros olhos. 
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Emanuella Henriques Souto Maior CRP 13/9287 by @emanuellapsi
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4 years ago
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Criar é gerar sentido, construir, é expandir-se. A criatividade é um criar ativo, gerado, não um mero imaginar, mas um vir a ser, um construir. Claro que imaginar tem sua função, e ela carrega sua importância.. eu que não queria experimentar uma vida sem imaginar, mas o ser criativo se projeta em sua obra. É um poder construir a vida, um tornar-se real. Não é meramente um ato, e sim um gesto espontâneo. É trazer a dimensão subjetiva para o ambiente. Criar, sentir, gerar, viver. Viver sem o criativo é como experimentar a vida sem cor, sem sabor. Não é material quadro, tela, obra, não é dimensão pictórica, é matéria orgânica impulsionando vida.
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Emanuella Henriques Souto Maior - CRP 13/9287 by @emanuellapsi
1
4 years ago
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Será mesmo que o amor e o ódio andam por caminhos tão opostos assim? Veja bem, no mundo nos colocamos sempre em posições demasiadamente opostas. Se sou calma não posso irritar-me, se sou passiva não posso guerrear, se sou polida não me aceitam as marcas. O ódio também tem sua serventia, assim como o amor. Tem muita gente por aí que prefere odiar do que suportar a indiferença. Odiar é também manter o objeto pulsante dentro de nós, assim como ama-lo. “De fato prefiro odiar, já que não posso ama-lo. Só assim mantenho ele dentro de mim de alguma forma” disseram-me certa vez. Na indiferença o que me cabe? Amar excessivamente pode sufocar, é a morte da individualidade, em contra partida odiar em demasia é colocar o ódio em sua pulsão destrutiva, a busca por destruir o outro. Li certa vez no livro “Não pise no meu vazio” de Ana Suy a seguinte poesia: “Ser amada é correr o risco incessante de ser desamada, desarmada, desalmada. E odiada. Se sou suscetível ao seu ódio é porque sou amada por você. O quanto você é capaz de suportar me odiar sem me desamar? Qual é o ponto em que o ódio se torna mais forte do que o amor?”. O ódio também pode ser separação, é poder sustentar seu desejo, é a capacidade de negar o atravessamento de qualquer jeito do outro. Para sobreviver é preciso também sentir a inadequação do meu desejo nas relações. Como dosar o ódio para existir? É um jogo entre sobreviver e perceber se o outro sobrevive comigo. O ódio tem sua função assim como o amor, pois o amor em demasia nos mata e o ódio em demasia mata o amor.
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Emanuella Henriques Souto Maior CRP 13/9287 by @emanuellapsi
9
4 years ago
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Para todos que são atravessados por esse desejo, meus sinceros agradecimentos por toda essa caminhada juntos. Dia 27 de agosto - Feliz dia da Psicóloga e do Psicólogo. by @emanuellapsi
6
6 years ago
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