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💿 Hardcore Punk e cultura underground
✍️ Textos autorais de uma pesquisadora
🌱 Veganismo, política e livros acadêmicos
❌ Straight Edge desde 2025
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Você sabia que, além das drogas químicas (álcool, tabaco etc) existem as drogas sociais? São o racismo, machismo, sexismo, misoginia, homofobia, transfobia, lesbofobia, bifobia, classismo, gordofobia, capacitismo, etarismo, xenofobia, intolerância religiosa. 

Sim, essas formas de opressão, dentre as diversas outras que existem, são vícios que intoxicam a mente e fazem o indivíduo pensar e se comportar de maneira tóxica e intolerante com os demais. 

Levando isso em consideração, ser Straight Edge é muito mais do que ficar sóbria: é lutar e combater as drogas sociais para não agir como um fascista e reproduzir atitudes conservadoras. 

Por isso, decidi não falar apenas de música neste perfil, mas também sobre política e desconstrução. Não porque eu seja perfeita ou exemplo de alguém superior e “santa”, mas porque busco me informar por meio de leituras e, através delas, perceber no que estou errando no cotidiano para poder mudar e simplesmente ser uma pessoa melhor. 

Na verdade, hoje em dia sou viciada e desesperada pelo aprendizado e levo muito a sério cada atitude que tenho. E, para mim, isso é ser Straight Edge: dia após dia, não ingerir álcool, tabaco, etc, mas também não ingerir atitudes de preconceito: aquelas drogas sociais que mencionei no início do texto. by @hardcorepunkzine
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2 months ago
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Antes de escrever o texto no celular, minhas resenhas começam no caderno: setas, palavras-chave, informações sobre a banda e ideias que vão se conectando até formar a estrutura final do texto. ✍️📓 by @hardcorepunkzine
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2 months ago
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Eu e meu suco lamora (laranja com morango). Drink sem álcool. ❌️❌️❌️ by @hardcorepunkzine
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2 months ago
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"As guerras nunca deixarão de existir enquanto os homens continuarem matando outros animais para comer, uma vez que transformar qualquer criatura viva num assado, num bife ou numa costela, ou em qualquer outra forma de carne , implica o mesmo tipo de violência, o mesmo tipo de derramamento de sangue e o mesmo tipo de processos mentais exigidos para transformar um homem vivo em um soldado morto." Foi o que disse Agnes Ryan, em março de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial.

Agnes Ryan (1878–1954) além de ter tido um olhar acurado para a causa dos direitos dos animais foi editora-chefe do Woman's Journal entre 1910 e 1917, um dos periódicos mais importantes na luta pelo voto feminino nos Estados Unidos.

Ryan apresenta três comparações importantes entre a morte de animais para consumo e a morte de seres humanos na guerra. Primeiro, ela compara a violência sofrida por um animal no matadouro, depois aquela sofrida por um soldado na guerra. Em seguida, expõe a semelhança entre o derramamento de sangue nas duas situações, e finaliza comparando os processos mentais envolvidos em transformar um animal vivo para se transformar em um animal morto, e um homem vivo para se transformar em um soldado morto.

Os processos envolvidos não são iguais, cada ser tem suas especificidades, mas apresentam semelhanças importantes. Afinal, estamos falando de seres capazes de sentir medo, frio, calor, saudade e dor, que possuem memória e têm interesse em continuar vivendo.

O animal não humano e o soldado compartilham algo fundamental: não querem morrer. Ambos têm interesse em preservar a própria vida, ainda que suas capacidades cognitivas e suas formas de compreender o mundo sejam diferentes. O soldado sabe que pode morrer na guerra, enquanto outros animais também demonstram medo diante de ameaças e comportamentos de defesa e fuga. Não precisam ter um cérebro idêntico ao humano para que sua capacidade de sofrer e seu interesse em continuar vivendo sejam reconhecidos. by @hardcorepunkzine
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2 hours ago
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Se te disserem o contrário: ignore. Essa pessoa não deve ser muito confiável. by @hardcorepunkzine
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7 hours ago
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Domingo, no segundo turno, meu voto é 13, Lula.

Não porque eu tenha um político de estimação, nem porque considere Lula perfeito, mas porque, sem sombra de dúvidas, é a melhor escolha para a democracia. by @hardcorepunkzine
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9 hours ago
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É aqui que acontece o meu processo criativo. É aqui que escrevo os ensaios, os artigos, as resenhas e as reflexões que publico no Instagram. É aqui que as minhas leituras de hardcore, filosofia e ciências sociais vão encontrando caminhos para se transformar em palavras.

Até pouco tempo atrás, eu escrevia sentada no sofá, com o caderno apoiado no colo, numa posição desconfortável que cansava o corpo e prejudicava a postura. Faltava um espaço mais adequado para fazer aquilo que tanto gosto de fazer.

Agora tenho uma cadeira preta, linda, exatamente do jeito que eu queria, e um assento ortopédico que, além de proporcionar mais conforto, ganhou uma capa preta brilhante que combina perfeitamente com a estética que imaginei para esse cantinho.

Mas o que torna tudo isso ainda mais especial é saber de onde veio esse presente: da minha irmã, que apoia o meu trabalho e acredita na importância do que faço por aqui.

Talvez, para algumas pessoas, seja apenas uma cadeira. Para mim, é muito mais do que isso. É qualidade de vida, é cuidado com o meu corpo, é um ambiente que também me inspira esteticamente. É ter melhores condições para continuar lendo, pesquisando, escrevendo e compartilhando ideias.

E é, sobretudo, sentir que tenho ao meu lado alguém que não apenas respeita o que faço, mas que também me ajuda espontaneamente.

Obrigada, minha irmã, minha melhor amiga. Eu te amo muito! ❤️ by @hardcorepunkzine
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10 hours ago
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Estou de saco cheio de militantes de esquerda que usam as redes sociais para dizer aos outros que saiam de suas casas, abandonem a vida digital e façam militância presencial, como se tivessem descoberto uma verdade política que o restante da humanidade ainda fosse incapaz de compreender. 

Não se trata de negar a importância da organização coletiva, da ocupação das ruas ou da construção de vínculos políticos para além das telas. Trata-se de questionar a facilidade com que algumas pessoas transformam uma convicção legítima em uma prescrição moral, como se a própria maneira de compreender e exercer a militância devesse servir de medida para julgar a dos demais. 

Há algo profundamente contraditório em defender a emancipação humana e, ao mesmo tempo, assumir uma postura de tutela diante dos outros. Como se as pessoas precisassem ser constantemente instruídas, corrigidas e conduzidas por quem acredita ter compreendido melhor o caminho. Como se a consciência política alheia fosse um território a ser administrado. 

E há um efeito curioso nisso: quanto mais alguém insiste em dizer o que os outros devem fazer, menos disposição pode despertar para que façam justamente aquilo que recomenda. Não necessariamente porque a recomendação esteja errada, mas porque a imposição desperta resistência. A necessidade de preservar a própria autonomia pode se tornar mais forte do que a disposição de concordar com uma ideia que, apresentada de outra maneira, talvez até fizesse sentido.

A militância não deveria servir à construção de pequenas autoridades morais, muito menos à produção de hierarquias informais entre aqueles que supostamente compreenderam a realidade e aqueles que ainda precisariam ser ensinados a vivê-la. 

Porque, se a emancipação significa alguma coisa, ela precisa incluir a possibilidade de pensar, escolher, discordar e encontrar os próprios caminhos; inclusive sem pedir autorização àqueles que acreditam saber qual deveria ser o nosso. by @hardcorepunkzine
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a day ago
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Ontem, 17 de outubro, Straight Edges do mundo todo se reuniram em shows para comemorar seu estilo de vida de sobriedade e resistência política. Eu nem comemorei ou fiz o X na mão. Passei o dia lendo um livro de sociologia que explica como a extrema direita brasileira, através do bolsonarismo, conseguiu ganhar adeptos no Brasil. O livro se chama Pobre de direita, do sociólogo e intelectual de esquerda Jessé Souza.

Durante o dia, além de ler o livro, publiquei dois posts: um falando sobre a obra e outro sobre como comer bacon se tornou uma tradição no mundo e o quanto isso é conflitante.

Quando chegou a noite, pedi pelo iFood um hambúrguer vegano de grão-de-bico por um preço bom demais: R$ 20, sem taxa de entrega. O lanche vinha com pão preto adocicado, bastante cebola caramelizada e um hambúrguer grande e gostoso. Preço excelente pela qualidade e quantidade.

Naveguei pelo Instagram, ouvi música. Um dia completamente banal. No entanto, isso não significa que eu não tenha comemorado. Comemorei em silêncio.

Estou há 1 ano e 3 meses sóbria, então o esperado seria ficar toda empolgada, fazer o X na mão, tirar uma foto e escrever um textão sobre o quanto essa filosofia de vida é importante para mim. 
Afinal, não se trata apenas de ficar sem beber e se  drogar, mas também de atuar politicamente, como eu faço: lendo livros acadêmicos de ciências sociais e transformando seus conteúdos complexos em textos fáceis de entender para compartilhar nas redes sociais.

Só que estou me acostumando tanto a ser Edge, achando tudo tão natural, que, às vezes, não sinto vontade de gritar para o mundo que isso tem um baita significado para mim. Às vezes, só quero ficar quietinha e não transformar minha postura em uma exibição. by @hardcorepunkzine
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a day ago
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Hoje, no mercado Guanabara, encontrei isca de peixe vegana. A isca da marca Incrível é 100% vegetal, tem sabor e textura semelhantes aos do peixe e custava R$ 18. Achei o preço bem acessível e, claro, comprei! 😋

No caixa, toda animada com a novidade, comentei com a operadora como era legal o mercado oferecer esse tipo de alternativa para quem não come carne. Ela olhou o preço e disse que R$ 18 era caro. Respondi: “Teria sido mais caro se tivesse matado.” 👀 

Minha intenção era provocar uma reflexão sobre o custo ético de consumir animais, mas acho que ela não entendeu. Quando expliquei que não como carne, ela começou a falar que comia salmão. E eu fiquei pensando: salmão não costuma ser caro também? 😂

Enfim, achei muito legal encontrar alternativas vegetais no supermercado. Afinal, é possível reproduzir sabores e texturas de alimentos tradicionais sem utilizar ingredientes de origem animal. Que essas opções se tornem cada vez mais acessíveis! 💚🌱 by @hardcorepunkzine
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a day ago
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Você já parou para pensar que até os seus desejos podem ter sido fabricados pelo capitalismo? Que aquilo que você acredita querer, consumir e até considerar indispensável pode ser resultado de estratégias cuidadosamente elaboradas para influenciar o inconsciente coletivo? Foi nesse terreno que nasceu a publicidade moderna, e um dos homens que ajudaram a moldá-la foi Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud.

Ao passo que Freud estudava o inconsciente para ajudar os seres humanos, seu sobrinho, encantado com o manejo do inconsciente como forma de manipulação, quis transformar isso em um novo ramo de negócios: o de conselheiro de relações públicas de empresas e partidos políticos.

Bernays escreveu seu primeiro livro, ensinando como conquistar e convencer as massas. A obra se chamava "Cristalização da opinião pública" e conquistou grande respeito. Isso lhe conferiu fama e permitiu que seus conselhos ensinassem a elite norte-americana a criar desejos nos consumidores. Basicamente, ele transformou o ato de comprar em um estilo de vida desejado pela sociedade, tornando as mercadorias parte do American Dream.

Mas o poder dessa estratégia não se limitava a vender produtos: tratava-se também de transformar hábitos de consumo em costumes sociais, fazendo com que escolhas estimuladas pela publicidade parecessem naturais e até necessárias. Foi nesse contexto que surgiu uma das campanhas mais emblemáticas de Edward Bernays: a promoção do bacon como parte do café da manhã americano.

Depois de estudar o inconsciente humano e aplicar seus conhecimentos para despertar desejos nos consumidores, Bernays começou a trabalhar para a indústria de bacon Beech-Nut. Sua estratégia foi além da divulgação de uma marca: buscou associar o consumo de bacon e ovos à saúde e à ideia de começar bem o dia, ampliando o mercado e beneficiando toda a indústria suína.

Bernays conseguiu mobilizar mais de 4 mil médicos em todo o país para endossar a ideia de que comer ovos e bacon era uma boa maneira de começar o dia. A campanha contribuiu para consolidar essa combinação como um dos cafés da manhã mais típicos dos Estados Unidos. by @hardcorepunkzine
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2 days ago
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Você sabe o que é um think tank? E qual é a sua importância na construção de conhecimento político aplicado? Os think tanks podem influenciar as disputas eleitorais e as decisões governamentais, mas muita gente não sabe disso. Eu mesma não sabia. 

Eu descobri esse termo no livro "O pobre de direita", do sociólogo brasileiro Jessé Souza, no qual, segundo o autor, a elite fabrica consensos para enganar e manipular a população, e os think tanks fazem parte desse processo. Eles também são chamados de laboratórios de ideias, centros de pensamento ou gabinetes estratégicos. 

Um think tank é uma organização de pesquisa que produz estudos, análises e recomendações sobre temas de interesse público, como economia, política, educação, saúde e meio ambiente.

Essas organizações conectam a produção acadêmica e científica aos formuladores de políticas públicas (governos, parlamentos e setor privado). Realizam pesquisas aplicadas, publicam artigos e fazem advocacy (defesa de pautas e ideias específicas). Podem ser independentes, universitárias, partidárias, governamentais ou patrocinadas por empresas. 

Vale lembrar que os think tanks não são uma exclusividade da direita: organizações de esquerda e progressistas também produzem estudos, formulam ideias, formam quadros e procuram influenciar o debate público. 

Mas compreender a atuação dos think tanks exige ir além de sua orientação ideológica. É preciso investigar quem os financia, quais interesses defendem, se suas análises são produzidas de maneira justa e rigorosa e por quais canais suas ideias chegam à sociedade. 

A influência política não se exerce apenas por meio de candidatos, partidos e campanhas eleitorais. Ela também acontece na disputa pela interpretação da realidade: quais problemas recebem atenção, quem é responsabilizado por eles e quais soluções passam a ser consideradas legítimas ou desejáveis. 

Por isso, conhecer os think tanks é também compreender uma dimensão menos visível da disputa política: a produção e a circulação de ideias que podem influenciar o debate público e a formulação de políticas governamentais. by @hardcorepunkzine
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2 days ago
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