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jornalista | roteirista
@obarbaraviu
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Esses dias uma jovem da cidade onde nasci postou um vídeo nas redes sociais com “opiniões”preconceituosas e criminosas. Com muitas curtidas, mensagens de apoio - e felizmente - pessoas se opondo. 

A moça então resolveu rebater em seu total direito de defesa. Em seu argumento ela diz que é “liberdade de expressão”. 

Acontece que existe muita confusão sobre liberdade de expressão. A liberdade existe quando não há qualquer crime contra o outro indivíduo. “Opinar” sobre a raça de uma pessoa é crime. “Opinar” sobre o gênero sexual de uma pessoa é crime. 

Enfim, essa introdução é só pra falar de um filme muito interessante: “O aniversário. A produção está disponível no PrimeVideo. 

A história que aparentemente começa com ares de um drama familiar ganha uma carga de suspense e horror através da chegada da namorada do filho da protagonista.

A jovem é uma intelectual que cria na universidade uma tese antidemocrática que envolve inclusive a troca da bandeira do país. 

Consequentemente ela lança um livro que vira um best-seller. O resto é o que temos visto na vida real quando a “liberdade de expressão” vira proteção para atos anticonstitucionais. 

Vale lembrar também que intolerância religiosa também é crime, viu?! by @luizbarbara
2
14 days ago
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Quem será o irmão do seu Inácio? 

Quem poderia chamar de “irmãozão” o seu Inácio? 

Que poderia dizer “conta comigo pra tudo” para seu Inácio? 

Quem poderia locar aviões, hotéis e casas de luxo para seu Inácio? 

Quem poderia dar ingressos de shows, tomar whisky e fumar charutos importados com seu Inácio?

Quem pediria dinheiro (muito dinheiro) pra fazer um filme sobre a vida de seu Inácio? 

Seu Inácio diz que tem família, mas ela está espalhada pelo país.

É solteiro e não teve filhos. 

Ele conta ter mais de 70 anos, veio do Piauí há cinco décadas para trabalhar em São Paulo.

Foi porteiro, vigilante, entre outras tantas coisas. Hoje se considera aposentado.

Achei que o carrinho que ele carrega fosse instrumento de trabalho. É. Mas ali também é a sua casa. A sua vida. 

E a sua principal companhia é um livro com um título um tanto sugestivo: “Universo em Desencanto”.

A obra faz parte de uma doutrina chamada Cultura Racional, da qual não conhecia. E que Tim Maia fez parte. O sucesso “Que beleza” foi feito nessa fase do cantor. 

“Que beleza é sentir a natureza”

Seu Inácio me explicou um pouco sobre. O que mais me chamou atenção na fala, é que ele acredita do invisível. 

Na beleza do invisível.

Imediatamente lembrei do clássico do olhar humano de Eliane Brum: “A vida que ninguém vê”.

É possível que eu já tenha passado pelo Seu Inácio inúmeras vezes. Tanta gente deve passar por ele.

E seu Inácio ali com toda sua bela sabedoria em pleno abandono e negligência de uma sociedade que só sabe dar visibilidade ao luxo, à riqueza, aos interesses, ao poder. 

Que beleza seria um mundo com menos Vorcaros e mais Seu Inácio. 

Que beleza te conhecer, te escutar, te ver.

Que beleza é saber seu nome, seu Inácio. by @luizbarbara
6
16 days ago
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eu não sei se realmente gosto de amoras. 

talvez seja apenas uma memória afetiva. 

lembro da escola onde estudei boa parte da infância.

tinha árvore de amora plantada na frente.

era comum as crianças antes ou depois das aulas se agarrarem no galhos e pegar uma, duas, três frutinhas ou mais.

eu também era uma delas. lembro da boca e das mãos sujas com o suco da amora. era uma tinta vermelha, meio roxa.

sinceramente não sei se gosto de amoras.

mas nessa época do ano elas aparecem no bairro onde moro hoje. 

elas nascem nas calçadas, nas pracinhas. e o eu criança se prende entre as folhas pra pegar uma ou outra frutinha.

sei que amora tem um gosto irresistível. 

um gosto doce, azedo, amargo, salgadinho. um gosto que não consigo explicar direito.

acho que tem gosto de tempo. 

porque quando mordo uma amora, mesmo sem saber se aquilo me apetece, é como se saciasse uma lembrança, uma saudade. 

provar amoras agora não é mais uma brincadeira infantil, mas é um sabor de maturidade. 

quando como uma amora ainda lembro que elas existem.

assim como caminhar pelas quadras do meu bairro me dá o deleite de ainda ver que existem flores que brotam das calçadas.

que ainda existem casas coloridas. 

que existem bancas de jornais e revistas. 

que ainda existem teatros de rua. municipais. públicos.

que ainda existe cultura em nosso país. 

que ainda existem dias sem chuva. que ainda existe céu azul. 

que ainda existe fé. 

minha família têm sofrido grandes perdas esse ano. de parentes e amigos de uma vida inteira. gente que me viu crescer. a última partida foi há três dias. 

mais do que nunca tenho sentido o gosto da finitude. esse realmente é amargo. 

mas quis escrever sobre amoras porque elas me trazem todos os gostos. porque elas vão e vêm. 

porque elas somem e reaparecem.

porque elas morrem e vivem. 

porque a amora que provava anos atrás está agora a quilômetros de distância. e mesmo assim ela ressurge.

e talvez isso seja o gosto verdadeiro da vida. fazer a gente lembrar sempre de quem faz e fez parte da nossa história. 

que ainda existe amor.

que ainda existem amoras. by @luizbarbara
10
18 days ago
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Foi nessa manhã chuvosa de São Paulo - que mais parecia Macondo em seu dilúvio de quatro anos, onze meses e dois dias, que terminei a versão filmada de “Cem anos de solidão”.

Na verdade, o Brasil todo está parecendo - ou sempre foi - um pouco Macondo. Uma enxurrada de desesperança que toma conta de uma terra que tinha tudo pra ser frutífera de sonhos e realizações. 

Li em algum lugar que se “Cem anos de solidão” fosse uma produção norte-americana certamente estaria indicada e venceria vários Emmys.

Concordo. A série colombiana da Netflix é um acontecimento. Não encontro entre os indicados ao Emmy deste ano algo com tão primoroso em narrativa e estética. 

“Cem anos de solidão” me encanta ainda mais porque vai na contramão do que normalmente gosto e procuro assistir. Não gosto de adaptações, não sou fã de tramas de época e muito menos ainda de episódios que ultrapassem 40 minutos. Prefiro as tramas originais, atuais, urbanas, com conflitos pessoais e algum suspense. 

E quem disse que “Cem anos de solidão” não têm tudo isso? 

Conforme o tempo passa em Macondo- as proximidades do universo de Gabo com a atual realidade da América Latina chega a assustar. 

A primeira temporada já havia sido deslumbrante. A segunda então é um espetáculo a cada capítulo. Destaco os episódios: 2 “Rainha de Madagascar” e o 6 “Eram mais de três mil” como aulas de dramaturgia. É um encontro perfeito entre técnica e criação. Cor e dor. Som e silêncio. Abundância e decadência. Euforia e melancolia. Vida e morte. Ópera e poesia. Suor e sangue. Calmaria e ventania. Lucidez e loucura. Beleza e horror. 

“Cem anos de solidão” que já era uma obra-prima eterna da literatura, da arte latina, se torna também do audiovisual.

É daquelas obras únicas, de estirpes condenadas a cem anos de solidão. 

#888 taken in Macondo by @luizbarbara
7
a month ago
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nem nas nossas mais criativas brincadeiras eu imaginaria tanta coisa que já vivemos

não pensava que iríamos pisar em lugares tão distantes - nem quando a gente brincava de agência de turismo. 

nem quando a cama dos nossos pais virava ringue para as nossas lutinhas (e sim, eu perdia)

e juntos, lutando, fomos realizando tantos sonhos e momentos felizes

sendo tu uma das heroínas mais aguerridas e fortes da minha história

parabéns pelo teu dia mana, te amo ❤️ by @luizbarbara
15
a month ago
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paulistar.

#tbt

pompeia.

cantina generale.

tem umami/ copan.

bixiga.

centro.

av. paulista.

teatro oficina.

cine belas artes/ consolação.

terraço martinelli.

barra funda.

minha casa em agosto. taken in São Paulo by @luizbarbara
45
2 months ago
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Dessa vez não temos o frisson de um “Ainda Estou Aqui” ou de um “O Agente Secreto”. Foram 15 filmes selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para tentar entrar disputa do Oscar, mas vejo 6 produções com potencial de quem sabe chegar lá:

1- “100 dias”
A obra de Carlos Saldanha tem vários trunfos. A primeira é ter Saldanha que já concorreu ao prêmio. Também por ser uma superprodução e contar a história de Amyr Klink, que possui os elementos que a Academia norte-americana ama: um herói em uma grande saga de esforço e superação. 

2- “A Natureza das Coisas Invisíveis”
Vencedor de três Kikitos no Festival de Cinema de Gramado de 2025, o filme narra a amizade que nasce entre 2 meninas em um hospital. Com muita sensibilidade, a história surpreende e encanta.

3- “Nosso Segredo”
O vencedor de melhor filme no Festival de Gramado deste ano tem uma família enlutada tentando superar uma perda. Filmes com protagonismo infantil sempre chamam atenção nessa categoria (“Central do Brasil”, por exemplo).

4- “Feito Pipa”
Assim como “Nosso Segredo”, tem o protagonismo infantil como destaque e esteve em Gramado. “Feito Pipa” venceu os kikitos de melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor filme do júri popular e menção honrosa para o menino Yuri Gomes. Também ganhou o Urso de Cristal em Berlim. Estreia em novembro e tem potencial para uma carreira internacional promissora.

5- “Cinco Tipos de Medo”
O vencedor do Festival de Cinema de Gramado 2025 é um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos. É um mosaico surpreendente das consequências do destino, violência urbana, luto e solidão. Uma trama diferente do que estamos acostumados a ver entre nossas produções. A produtora da atriz Viola Davis se associou ao filme, o que pode aumentar as chances em uma carreira lá fora.

6- “Vicentina pede Desculpas”
O novo filme de Gabriel Martins (do maravilhoso “Marte Um”) está selecionado para o Festival de Toronto. O que já abre uma perspectiva internacional. A trama aborda luto, suicídio e o pedido de desculpas de uma mãe.

#cinemabrasileiro by @luizbarbara
0
2 months ago
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amo essa foto

amo esse dia

amo tudo que esse abraço representa 

amo te ver realizando teus sonhos

amo teu sorriso 

amo te ver feliz 

amo ser teu filho

amo comemorar tua vida 

amo o dia do teu aniversário 

amo te dar parabéns 

amo a tua forma de cuidar, proteger, apoiar, torcer, rezar, amar 

amo poder dizer várias vezes durante todos os dias o quanto te amo 

amo-te muito, mamãe ❤️🎂 by @luizbarbara
30
2 months ago
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Tia Diná amada, 

Eu sonhei com a tia Duque esses dias (não fica com ciúmes). 

Acordei com saudade. 

Eu lembrei de quando vocês iam nos visitar. 

Eu amava aquilo. Eu ainda amo. 

Eu lembro que não tinha timidez nenhuma em sair com vocês nas andanças nas casas de parentes que nunca tinha visto. 

Eu lembro que quando voltava pra casa ainda imitava todo mundo que tinha conhecido. A gente ria. 

Eu falava palavrão na tua frente. Tu ficavas vermelhinha, piscando os olhos. 

Eu contava os dias para a próxima visita. 

Hoje eu me perguntei quando foi a última e não lembrei. 

Me doeu. 

Minha maior dor e medo são perder e esquecer das pessoas que amo. 

Me doeu porque o tempo vai passando, e claro, muita coisa vai acontecendo. Muita coisa boa inclusive, que adoraria te contar. 

Tenho certeza de que iríamos rir muito. 

Mas o tempo passou. O meu quarto onde tu ficavas hospedada não existe mais. 

Pelo incrível que pareça, eu fiquei tímido. E hoje tenho uma dificuldade enorme em pisar em territórios desconhecidos e conhecer pessoas novas. 

Naquela época eu tinha a tua mão. Agora, pra me encorajar eu ganho o teu olhar pra sempre. 

Perguntei pra prima Maria da Graça como havia sido a tua morte. 

Ela me disse que: “apagou como uma vela.” 

Achei lindo. Poético. Triste. Simples. Forte. 

Tia Diná, vela de chama alta. 

Tinha muita luz. 

Iluminou. Viveu. 

Apagou como uma vela. 

Acenda novamente no céu. 

Me ilumine. 

Espero agora tua visita nos meus sonhos. 

Com carinho e muito amor do teu sobrinho-neto. by @luizbarbara
27
2 months ago
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trinta e sete julhos 

de um lado pro outro, de lá pra cá 

lembrando o passado

comemorando o presente 

imaginando em uma nave espacial o futuro

sobreviveremos o passado, o presente e o futuro! 

🛸🎂🎈🍺🥂🌊🌸🍀 by @luizbarbara
78
2 months ago
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“Lembre-se da jornada”

É uma das frases ditas para Odisseu durante sua saga para voltar pra casa.

“A Odisseia” coroa a trajetória do diretor Christopher Nolan como o melhor filme do ano e possivelmente o grande épico da década. Vou além. Talvez seja o maior do gênero desde “Gladiador”, de 2001.

Não é a toa que desde 2004 nenhuma produção deste estilo tenha vencido o Oscar de Melhor Filme. O último foi “Senhor dos Anéis”. A “Odisseia” de Nolan pode retomar essa conquista. Merecidamente.

“A Odisseia” como o próprio título já sugere é grandioso. Um filme que não tem medo de ser gigante (até na sua duração de quase 3 horas). Assume o risco de sua imponência - sem em nenhum momento exagerar. 

São de tirar o fôlego as sequências de batalha, de duelos, de navegação. Não há respiro, é uma cena atrás da outra de pura adrenalina ou emoção. 

Nolan conta com um exército pronto pra ganhar. O elenco é estrelar, a trilha dita o ritmo da produção, a fotografia cumpre o tamanho colossal da trama, e o roteiro estrategicamente não linear como o diretor normalmente conta suas histórias são armas poderosas para o sucesso do filme. 

O cineasta que ganhou o Oscar com “Oppenheimer” há dois anos parece ter encontrado na obra de Homero uma síntese da sua carreira.

Se com “Batman” ele enfrentou implacáveis vilões de Gotham City, “Interstellar” a luta pela sobrevivência na Terra, o tempo e espaço, “Dunkirk” as trincheiras sangrentas da Normandia na Segunda Guerra, “Oppenheimer” a bomba atômica. em “Odisseia”, Nolan apresenta monstros, feitiços, traidores, tempestades e batalhões.

Mas nenhum inimigo dos seus protagonistas são maiores que a consciência e a memória. As lutas internas são as mais difíceis de superar.

E assim Nolan vence mais uma jornada cinematográfica. 

Pra ser lembrada pra sempre.

#theodyssey by @luizbarbara
1
3 months ago
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ontem comecei a trigésima sétima travessia. 

durante a trigésima sexta, realizei o sonho de conhecer Veneza. 

ainda não sei o que vou conquistar nessa nova jornada.

certo mesmo é que terão dias de sol, dias nublados, dias de chuva e dias que se encerram com a lua iluminando o céu. 

sei também que terão dias de navegação em águas tranquilas, outras agitadas. rasas ou profundas. 

e obviamente que nem todo dia será como estar nas águas venezianas. tem dia que será numa canoa, tem dia que (raros e inesquecíveis) pode surgir um iate (ou táxi aquático do Adriático).

e entre as águas está ali Veneza. cheia de histórias, memórias, lembranças. tem gente que ama Veneza, tem gente que odeia. dizem que um dia Veneza vai sumir, afundar, desaparecer. como todo nós, a nossa única certeza.

mas Veneza segue resistente ao tempo. ao clima. às águas. embeleza suas ruínas. faz da sua destruição encantamento para sempre ressurgir. 

um dia quero voltar em Veneza. 

não quero esperar mais 36 anos. nem ir tão mais velho. 

mas que seja no momento certo. onde os meus olhos continuem a enxergar o que existe além. além das águas transparentes. além das paredes descascadas. além do belo. além do que já conheço. 

avante a navegar. 

#tbt taken in Veneza, Italy by @luizbarbara
65
3 months ago
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