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Jornalista e Produtora Audiovisual
Ativista Amazônida
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O brasileiro anda esquecendo quem era antes do concreto, antes do porto, antes do lucro vestir farda de progresso. Esquece os rios soterrados, as aldeias caladas. Somos um povo com a memória ferida, aprendendo a chamar destruição de desenvolvimento, aprendendo a não perguntar onde foram parar as histórias e quem levou embora as pessoa. Esquecendo o Xingu calado por Belo Monte, o Tapajós cercado por portos, as florestas vendidas em nome de multinacionais sem rosto. Mariana perdendo vidas na lama, Brumadinho perdendo nomes na sirene. As empresas chegam como deuses falsos prometem futuro, entregam ausência, prometem trabalho, enterram histórias. Levam nossos peixes, nossas rezas, nossos mortos, nossos nomes. E assim o Brasil vai virando um país sem lembrança. Mas a terra ainda fala. O rio ainda chama. E quem escuta não esquece. Porque povo sem memória é terra sem raiz, e nós ainda somos sementes de resistência! taken in Rio Tapajós by @mariaeulali_
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9 months ago
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Celebrar o Dia da Cultura na Amazônia é reconhecer que aqui cada canto e tradição carrega séculos de sabedoria e resistência. Aqui a cultura é feita de vozes que ecoam entre as águas e as florestas, dos tambores que anunciam a chegada das festas, dos cantos que pedem licença à mãe da mata e das mãos que moldam, bordam, dançam e rezam.  O Sairé e todas as manifestações tradicionais, como a festa do Gambá de Pinhel e o Marambiré no Quilombo do Pacoval, são elos entre o passado, o presente e o futuro. São pontes de memória que sustentam a identidade dos povos e reafirmam a presença viva das comunidades no território. A cultura não é apenas celebração, na Amazônia, cultura é floresta que fala. É o olhar dos mais velhos, o riso das crianças, o batuque que atravessa o rio e o silêncio que também ensina. A cultura é o maior instrumento de luta e resistência do nosso povo, guardiã da memória e semente de um futuro que respeita suas raízes. taken in Alter Do Chão, Para, Brazil by @mariaeulali_
14
a year ago
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A cada dia me apaixono mais pela arte de registrar o real e me sinto na obrigação de passar, com veracidade e respeito, tudo aquilo que é me dado permissão para contar através das lentes. 

Sawé ✊🏽🏹 taken in Alter Do Chão, Para, Brazil by @mariaeulali_
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5 years ago
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O voto é secreto, mas eu não escondo de onde venho, o que defendo e o que quero ver protegido. Sou parte de uma das festas tradicionais mais antigas da Amazônia e sei, na prática, que cultura não existe sem gente, sem território e sem políticas públicas que garantam sua continuidade. Por isso, quando escolho meu voto, também penso naquilo que quero ver fortalecido e respeitado nossa cultura, nossos povos, nossos territórios e o direito de continuar contando nossas próprias histórias.

Eu voto 13 ⭐️ taken in Alter Do Chão, Para, Brazil by @mariaeulali_
39
10 days ago
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Festa de São Benedito - Laranjal - Aldeia Alter do Chão 

05/10 taken in Alter Do Chão, Para, Brazil by @mariaeulali_
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10 days ago
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Rastros de Sairé

Derrubada dos Mastros, último dia do Sairé 2026, em Alter do Chão, Santarém (PA).

Para quem conhece o Sairé pela disputa entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa: sim, é uma rivalidade linda e tem ganhado cada vez mais atenção de todo o mundo. Mas a raiz e fundamento do Sairé estão no rito, que acontece a mais de três séculos.

Nasceu do encontro entre a espiritualidade indígena do Baixo Tapajós e a catequese jesuíta. Quem o mantém vivo é o povo Borari, que ocupa historicamente o território de Alter do Chão e faz a festa em puxirum, o trabalho coletivo de toda a comunidade.

Uma das traduções registradas para o nome é “cordão de giro”. É um rito que acontece em movimento. O capitão abre a procissão, os alferes agitam as bandeiras, a saraipora conduz o arco do Sairé com as Moças das Fitas, e os rufadores marcam o passo no tambor. Na derrubada, o cortejo gira em volta dos mastros antes que homens e mulheres disputem, no machado, quem leva o seu primeiro ao chão. E há as danças do rito, como o Macucauá e a Desfeiteira, com o tarubá, bebida fermentada da mandioca correndo de mão em mão.

Os mastros, buscados na mata com pedido de licença aos encantados, são para a comunidade a alma do Sairé: a ligação entre o povo e o sagrado.

As fotos de Oruê Brasileiro foram feitas em longa exposição. Numa festa em que nada fica parado, o que a câmera guarda é o rastro.

Reconhecido em 2024 como manifestação da cultura nacional, o Sairé é muito mais que os botos: é rito, ancestralidade Borari e potência amazônida. taken in Alter Do Chão, Para, Brazil by @mariaeulali_
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25 days ago
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Eu vejo tanto amor, tanta entrega e tanta dedicação em você, minha amiga @mariaeulali_

Você é uma dessas pessoas que ama verdadeiramente o que faz, que vive o Sairé em cada detalhe e que trata visitantes, amigos e todos que chegam com carinho, atenção e respeito.

E essa cena, depois da derrubada dos mastros, limpando o barracão e cuidando de cada detalhe, é emocionante. Porque mostra que o amor pela tradição não está apenas no palco ou nos grandes momentos, mas também no trabalho silencioso, no cuidado e na dedicação.

Maria Eulália, você representa muito dessa cultura linda. Você dá vida ao Sairé, participa, se entrega e faz tudo com o coração.

Tenho um carinho enorme por você e por todos que fazem essa festa acontecer, independente de Boto. Mas você é fera! Você é gigante, minha amiga. Seu amor pelo Sairé e pela nossa tradição é algo que merece ser admirado e valorizado. ❤️
#saire2026 
#alterdochao by @mariaeulali_
44
25 days ago
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Sairé 2026 - *Rēdawa Ancestral 

Concepção do Tema: 
*Rēdawa Ancestral nasce da compreensão do nosso povo Borari de que o território é a base da existência. Em nossa cosmovisão, o território não se reduz a uma delimitação geográfica nem a um espaço de ocupação. Ele constitui uma rede viva de relações que integra terra, águas, floresta, espiritualidade, ancestralidade, memória, cultura e modos de vida. 

O território-terra representa o chão ancestral onde repousam as nossas memórias coletivas, os lugares sagrados, os caminhos percorridos por nossos antepassados e a continuidade da vida comunitária.

O território-floresta expressa a relação de reciprocidade entre entre o nosso povo e a Amazônia. A floresta é fonte de alimento, cura, aprendizado e equilíbrio, mas também um espaço onde vivem os encantados e onde a ancestralidade permanece presente.

O território-rio revela o movimento da vida. As águas do Tapajós conectam nossas famílias, histórias, práticas culturais e saberes, sendo parte indissociável da identidade Borari. O rio é caminho, alimento, memória e espiritualidade.

O território-corpo reconhece que cada um de nós carrega em si a continuidade do nosso povo. O corpo preserva a língua, os grafismos, os cantos, as danças, os ritos e os conhecimentos herdados das gerações anteriores. É nele que a cultura se manifesta e se perpetua.

O território-espírito evidencia que o mundo visível não existe separado do invisível. A nossa espiritualidade reconhece a presença permanente dos encantados e dos ancestrais como forças que orientam, protegem e mantêm o equilíbrio da vida.

Desse modo, Rēdawa Ancestral reafirma que território é vida, identidade e continuidade. Não existe cultura sem território, assim como não existe território sem aqueles que o reconhecem, o protegem e lhe dão sentido. 🏹🕊️

*Rēdawa (nheengatu) = Território

Identidade visual pelas mãos de @brendalemosdesigner 
e finalização de @paulo_design93 taken in Alter Do Chão, Para, Brazil by @mariaeulali_
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3 months ago
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RÊDAWA ANCESTRAL é o tema que conduz o Sairé 2026 e reafirma o protagonismo do povo Borari na construção dessa celebração centenária. Além de que anunciar um novo ciclo, o tema nos convida a compreender Alter do Chão como um território de memória, ancestralidade, espiritualidade e pertencimento.

Neste primeiro carrossel de 2026, reuni um panorama geral do que podemos compreender e esperar, compartilhando um norte de como começar a se organizar pra chegar. Bora lá? 

Obrigada pelas contribuições, minhas manas. Estamos aqui mais um ano 🫶🏾 @flaviamanuellaa @mariaeulali_ @saireoficial_ 

#Sairé2026 #AlterDoChão #PovoBorari #Amazônia #Sairé taken in Alter-Do-Chão - Santarém - Pará by @mariaeulali_
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3 months ago
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Hoje, um novo caminho ancestral foi anunciado.

Rēdawa Ancestral nasce como o tema do Sairé 2026, um chamado para reconhecer que nosso território é mais do que terra: é corpo, memória, espírito, floresta, rio e encantaria. É onde vivem nossos ancestrais, nossa cultura e a força que sustenta o povo Borari através das gerações.
Mais do que um tema, Rēdawa Ancestral é um compromisso com a proteção da vida, da identidade e dos saberes que fazem do Sairé uma celebração única.

Rēdawa uikú asuí oré pupe. Oré uikú Rēdawa pupe.

(O território vive em nós. E nós vivemos no território.)

Sawé ✊🏽🏹 taken in Alter Do Chão, Para, Brazil by @mariaeulali_
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3 months ago
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a ancestralidade não é um conceito fixo sobre o passado, mas uma força viva que orienta a nossa existência no presente. Ela representa a nossa conexão profunda com a Terra e com os ciclos da vida 🏹 taken in Rio Tapajós by @mariaeulali_
1
3 months ago
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Pelas mãos e pelo olhar da devoção 🕊️🏹 by @mariaeulali_
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3 months ago
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