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Pesquisador de pós-doc @lafec.ufes
Doutor em psicologia | Autismo e práticas neuroafirmativas
Autor da RADS-R-BR e de “A quem pertencem as palavras?”
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Às vezes, uma sessão de terapia, um grupo de apoio ou a simples presença de alguém em silêncio ao lado pode aliviar o sentimento de solidão.

Se você é terapeuta de uma pessoa autista, valorize a presença. Não necessariamente só a presença fisica, mas a presença que é marcada por um vinculo seguro, que permite afastamentos e retornos que, por algum motivo acontecem.
Talvez você seja um dos vínculos mais seguros da pessoa que você atende. Talvez seja até o único vínculo seguro.

Tente, pela compreensão e pelo afeto, garantir que o vínculo entre vocês é seguro e que vocês podem estar presentes, compartilhando e preenchendo o tempo com o que for relevante para cada encontro, inclusive com o silêncio ou com a companhia enquanto a pessoa que você atende realiza alguma atividade ou tarefa importante para ela no momento.

Isso me lembra de quando eu atendia em psicoterapia pessoas que bordavam, passavam roupa, organizavam o quarto ou andavam pela rua em chamada comigo, às vezes durante uma viagem. A técnica central nesses encontros, era a presença, era atender a necessidade de uma companhia segura.

O que quero dizer com isso é que a presença é tão relevante quanto qualquer outra técnica descrita em livros e artigos.
Pessoas, sem exceção, têm necessidades de se sentir amadas, valorizadas e compreendidas. 

E, quando conseguimos facilitar esses sentimentos em terapia, sem condiciona-las a respostas de mudanças, paradoxalmente mudanças podem começar a acontecer.

Observe. by @mayckhartwig
7
3 days ago
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Quando criança, eu queria estudar História e ser professor. Por alguns acasos, me aproximei da Psicologia. E isso não me afastou da vontade de ser professor. 

Aos 25 anos, quando conclui minha graduação e minha primeira pós-graduação, me tornei professor de metodologia de pesquisa na pós-graduação de uma instituição privada. Naquela época, a @capacitarpos confiou a mim todas as turmas do Brasil. Foi assim que viajei bastante à trabalho e conheci todos os estados deste país, do Rio Grande do Sul a Roraima. Também tive a oportunidade de ser professor de graduação em Psicologia, em universidades privadas, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

Ao longo de toda a minha formação acadêmica, graduação, mestrado e doutorado, tive professores pelos quais sou muito grato. Todos me ensinaram e alguns, além de ensinar, me compreenderam. Me sentir compreendido foi e continua sendo ums das forças que me mantém motivado a fazer o que faço. Também tive apoio do Estado, estudei o ensino fundamental e médio em colégio público, fui bolsista da FAPES na graduação e cursei toda a minha pós-graduação em universidades públicas. 

O que quero dizer com esse pipipi popopo acima, é que nosso desenvolvimento não depende exclusivamente de nós. O contexto em que estamos e as pessoas que encontramos pelo caminho fazem toda a diferença. Elas podem atuar como catalisadores, apoiando o desenvolvimento dos nossos talentos e reconhecendo e validando quem somos. Se inclui nisso, desde acessar os direitos garantidos pelo Estado, até as pessoas que encontramos pelo caminho. 

Em outras palavras, o processo de autorrealização se constrói de forma coletiva, apoiando uns aos outros e fazendo valer, por meio do voto e da cobrança junto aos governantes, o nosso direito à educação. 

Dito isso, obrigado aos professores que me formaram e continuam me formando professor e pesquisador 👣 by @mayckhartwig
46
4 days ago
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Continuo imprimindo fotos e distribuindo por aí. Às vezes, elas saem com um efeito psicodélico, com mais de um contorno, com cores que se sobrepõe. Fiquei achando que era problema da câmera, mas parei de pensar nisso e continuei distribuído elas do mesmo jeito. Às vezes mais de uma. A mesma imagem, mas com contornos e cores diferentes. by @mayckhartwig
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9 days ago
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Madu e Péricles estiverem pela 25ª Jornada Científica e Cultural da FAESA apresentando um painel com resultados preliminares do protocolo de avaliação neuropsicológica do projeto de adaptação e evidências do modelo de Mindfulness Body In Mind Training (BMT) @bmtbrasil @bmt.uk, desenvolvido aqui no LAFEC pela Profa. Dra Mariane Lima de Souza e o Pesquisador de pós-doc Dr. Mayck Hartwig.

O projeto é financiado pela FAPES e atende 64 pessoas autistas e 64 cuidadores de crianças e adolescentes autistas capixabas. O objetivo é avaliar os efeitos de práticas de Mindfulness e autocompaixão em autistas e cuidadores. 

Essa pesquisa é parte do projeto de neurodiversidade e práticas neuroafirmativas do nosso laboratório e conta com uma equipe de 32 pesquisadores, incluindo estudantes de graduação da UFES e de universidades privadas do Espírito Santo, além de pesquisadores colaboradores da Unicamp/(SP), UFF (RJ) Instituto de Apoio, Ensino e Pesquisa Adultos no Espectro (ES) e King’s College (UK) pela @drtamararussell. 

Além de avaliar os efeitos das práticas de Mindfulness o grupo está desenvolvendo um roteiro de avaliação neuropsicológica para identificação do autismo, um estudo com orientações para adaptações neuroafirmativas em práticas de grupo e um estudo colaborativo com o Laboratório de Práticas Corporais e Integrativas LAPCI, do Departamento de Educação Física da UFES.

Temos muito trabalho acontecendo e para acontecer, mas ao longo do percurso também estamos descobrindo novas estratégias verdinhas e azuis, para nos cuidar melhor 🟢🔵 taken in FAESA by @mayckhartwig
12
11 days ago
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Neurodivergência é sobre diferença, sobre quebrar paradigmas, ter pensamento divergente e romper com a lógica da normatividade e das exigências neurotípicas. É sobre ser estranho, frustrar expectativas, se confundir, experimentar o caos. Mas também é sobre ser criativo, inventivo, divergente, fora da caixinha — não da casinha.

Uma relação neuroafirmativa é sobre exercer a empatia, poder se expressar de forma genuína e ser quem realmente se é, com intensidades e espontaneidade. É uma relação em que cabe dizer o que se sente, com abertura e curiosidade para aprender a lidar com a diferença e entender que o outro tem características próprias, que o tornam humanamente bonito e contraditório.

Existe na psicologia um teórico chamado Carl Rogers, que nos ensinou, há bastante tempo, que o ser humano não é um projeto a ser consertado, mas um processo a ser compreendido. Para Rogers — e para mim também —, todo ser humano é capaz de se desenvolver e encontrar seu próprio caminho quando recebe a aceitação necessária.

Então, desejo que você, assim como eu, siga com coragem, assumindo a sua humanidade e afirmando de propósito a sua diversidade neurológica, para que as pessoas ao seu redor entendam que apoio e compreensão promovem vida e sentimentos bons de sentir.

Dito isso, compartilhe essa carta com alguém. Quem sabe conseguimos lembrar algumas pessoas de que, no fim das contas, somos todos humanos e, de diferentes formas e em diferentes momentos, precisamos de afeto, de relações quentinhas e de apoio.

Cuidem-se e não aceitem, em hipótese alguma, adjetivos que os desqualifiquem e os coloquem no lugar da incapacidade. O discurso capitalista, neoliberalista e a fantasia de onipotência nos encontram toda hora, e cabe a nós ter coragem de enfrentá-los ou simplesmente se dar o luxo de dizer:

- Ai, hoje não. taken in Vitória, Brazil by @mayckhartwig
15
11 days ago
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É com muito pesar que recebemos a notícia da morte de Fernanda Fialho (@paraquetabu). E hoje, escolhemos essa palavra, morte, sem amenizá-la, porque às vezes é necessário encarar de frente essa entidade tão assustadoramente comum em nossas vidas. E por mais contraditório que pareça, a morte dói e assusta, porque estamos vivos e a vida violentamente continua, sem nos dar uma pausa para senti-la. E já que ela é impossível ignorá-la, é melhor encará-la de frente, sem tabus.

Curiosamente Fernanda escolheu esse nome para seu perfil: Para quê Tabu. Falava sem amarras sobre suas dores, sobre a importância do diagnóstico de autismo, sobre as violências que sofreu, sobre os temores com o futuro, sobre a vida. Ela escreveu livro, deu palestras, conscientizou pessoas, expôs as contradições do SUS, ousou pedir ajuda. Ela viveu intensamente, e fez com que a morte do seu corpo não fosse sinônimo da morte das suas ideias e da sua luta. 

Pelo pouco que tivemos contato, ela foi capaz de mostrar sua energia, sua alegria e sua luz. Eu acredito fortemente que Fernanda desejaria ser lembrada assim. 

E nós, em particular pessoas autistas adultas, honraremos sua presença no mundo encontrando nossos respiros, encontrando nosso caminho e formas de viver nesse mundo, para que seja possível ter forças para continuar sua luta.

- Ilus by @mayckhartwig
20
16 days ago
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O conhecimento que temos hoje sobre os ganhos que um diagnóstico de autismo pode promover na vida de uma pessoa autista, justifica, por si só, o seu valor social.

Talvez uma grande parcela dos profissionais de saúde não ligue para esse fenômeno; e, talvez, mesmo que tenham boas intenções, estão também preocupados com a manutenção do status quo que o discurso segregacionista, de quem carimba (ou não) um laudo, vem produzindo.

Não sei se vocês tem percebido, mas questionar e invalidar o diagnóstico, tem se tornado o hype do momento. Me parece que essa postura é a mais nova skin de trabalho clínico sério e confiável entre os clínicos. 

Um dia eu já me perguntei, mas hoje, eu já não me pergunto mais o por quê. taken in UFES by @mayckhartwig
15
17 days ago
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Hoje, das 18h às 20h, acontece o encontro on-line do Percurso Formativo em Saúde Mental para profissionais de Navegantes/SC, com o tema NEURODESENVOLVIMENTO e SAÚDE MENTAL.

Recebemos o Dr. Mayck Hartwig, autor da versão brasileira da RAADS-R-BR (Ritvo Autism Asperger Diagnostic Scale), que vai abordar conceitos em neurodesenvolvimento, uso de instrumentos de avaliação e estratégias de cuidado na APS para pessoas com condições do espectro do autismo e TDAH. taken in Navegantes, Santa Catarina, Brasil by @mayckhartwig
11
18 days ago
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Uma escala não é suficiente para diagnosticar autismo. Por mais que essa informação seja óbvia, ainda temos acompanhado laudos respaldando diagnóstico de autismo apenas com a aplicação de uma escala de rastreio, sem triangular os resultados com outras fontes de dados. 

Um laudo sem dados consistentes, além de dificultar o entendimento do avaliado a respeito do seu perfil neurocognitivo, dificulta o diagnóstico médico, e pode resultar em superdiagnóstico do autismo (considerando o viés do respondente). Além disso, laudo inconsistente empata a vida de pessoas autistas quando apresentam esse documento em uma banca avaliadora de concurso público e/ou em núcleos de acessibilidade na universidade e no mercado de trabalho. 

Uma avaliação para diagnóstico do autismo requer triangulação de dados, considerando as características manifestadas ao longo de todas as fases do desenvolvimento. 

Não somos nós, clínicos, que decidimos para positivo ou negativo para autismo, é a robustez dos dados, que nos auxilia com o raciocínio clínico e a formulação das hipóteses diagnósticas mais coerentes no momento da avaliação. 

Se você tem dúvidas, pergunte nos comentários abaixo que seguiremos com essa conversa. by @mayckhartwig
27
a month ago
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Servindo cunt and cult em Vix. taken in Casa Porto das Artes Plasticas by @mayckhartwig
10
a month ago
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Uma revisão bem fresquinha de 2025 sobre o TDAH em adultos, reunindo atualizações importantes sobre o que já sabemos, o que ainda é controverso e quais lacunas ainda permanecem.

O que mais me chama a atenção no artigo é a discussão sobre a desregulação emocional. Desatenção, hiperatividade e impulsividade seguem como sintomas centrais, mas dificuldades de regulação emocional também podem produzir prejuízos importantes no funcionamento diário e nos relacionamentos.

O artigo ainda discute outras questões em aberto, como o papel da disfunção executiva, a definição de prejuízo funcional, a possibilidade de TDAH de início tardio, a heterogeneidade neurobiológica e os efeitos dos tratamentos no longo prazo.

É uma boa leitura justamente porque mostra que, mesmo em um campo bastante estudado, ainda há perguntas relevantes sem respostas definitivas.

Leiam, comentem, salvem e compartilhem esse post. 

#TDAH by @mayckhartwig
12
a month ago
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O estado do Espírito Santo conquistou o 3° lugar nacional e o 1° lugar da Região Sudeste no ranking de Melhor nota em Pesquisa Científica realizado pelo @clpbrasil.

O indicador analisa o desempenho acadêmico a partir de critérios como volume e impacto de publicações científicas, citações internacionais, captação de recursos e o percentual de docentes bolsistas de produtividade do CNPq. O resultado evidencia a força da produção científica capixaba e o compromisso com o desenvolvimento da ciência e da inovação no país.

Publicação, foto e dados originais: @clpbrasil
Legenda: @prppg.ufes taken in UFES by @mayckhartwig
4
a month ago
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