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um podcast sobre as questões da vida e da morte, por @sukevicius
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Aqui, começo a contar a minha história 📖☕️

Sete meses depois, eu consegui.

Consegui respirar. Consegui entender. Consegui falar.

A dor não desapareceu, ela continua aqui e, às vezes, ainda bate muito forte.

Mas estou ajustando a dor em recomeço. 
Em força. 
Em verdade.

E hoje, pela primeira vez, compartilho um pedaço da nossa história.

Não para reviver a dor, mas para honrar o que nasceu com ela e depois dela.

Às vezes, a gente só precisa lembrar
que a vida sempre recomeça 🦋
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Eu já tinha dito muitas vezes que subestimamos a dor quando engravidei. Mas foi ali que realmente entendi.
Em alguns momentos do primeiro trimestre, há horas no banheiro sentindo o maior mal-estar do mundo, eu pensava no absurdo que é exigir que pessoas próximas ao fim da sua vida continuem experimentando sofrimentos muito piores apenas para viverem um pouco mais - ou não morrerem um pouco antes. Eu só continuava, porque sabia que ia passar. E que, passando, daria luz a uma nova vida, e não à morte.

Recentemente levei um susto ao receber o resultado de uma ressonância de crânio. A minha morte não é algo que me assusta tanto. Mas a minha vida sim. A minha vida sem memória, sem autonomia, sem o eu que reconheço. Pensar que poderia ter um risco aumentado de me perder de mim antes de morrer me deixou devastada.

Não é qualquer vida que vale a pena ser vivida. E a vida que vale pra cada um é tão pessoal e intransferível quanto o DNA.

Eva teve um AVC que destruiu o mundo como conhecia, porque levou dela a linguagem. Eva não sabia mais ser Eva. E a chance de que reaprendesse era cada vez menor. O que é que obrigaria Eva a continuar viva? Por que exigimos das pessoas que sigam em desespero para o qual não haverá saída?

O livro que Adriano escreveu - e que estou lendo agora - é um divisor de águas. Não é só mais um livro que reflete sobre morte digna. São histórias que existiram não em abstrato, mas em primeira pessoa. O sofrimento que imaginamos intolerável ganha outros contornos quando os projetamos sobre quem existiu e afirmou não conseguir mais conviver com ele. Eles se tornam, de alguma forma, nossos também. 

Espero que o livro inaugure no debate público uma conversa séria sobre o não-dever de se viver a qualquer custo. Dificilmente teremos uma chance melhor do que esse texto tão pungente e bem escrito.

Agradeço a delicadeza da @editoravestigio e compartilho minha emoção ao descobrir que meu livro e o @mortesemtabu_ estão citados como referências 🤍
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