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A fotografia é política. 
Cada vez que a gente aponta uma câmera, escolhe o que enquadrar, o que guardar e o que mostrar. Do clique a revelação, nada é por acaso.

O Cafeína nunca quis ser só um lugar pra revelar e digitalizar filme. Desde o começo, a gente quis abrir uma comunidade que era fechada, acolher quem está começando e ensinar o que sabe. Foi por isso que, em agosto de 2025, a gente ocupou as ruas com os Encontros de Fotografia Analógica.

Nada disso existe sem acesso à cultura, sem a preservação da arte e sem liberdade pra usar a fotografia como expressão.

O Cafeína é formado por uma pessoa negra e duas mulheres. Por isso, a política atravessa a vida e a fotografia de todos nós.
Por isso, como pessoas e como Cafeína, não dá pra ficar em cima do muro: a nossa posição é de esquerda.

No dia 25 de outubro, vote por quem apoia a democracia. Vote em quem apoia a arte e a cultura. Vote consciente.
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O amor de Gabriella pelo futebol começou “do nada”. No jardim de infância, ela desenvolveu um fascínio pelo Vasco mas, por causa do receio dos pais, só foi em seu primeiro jogo na adolescência. Foi apenas adulta, com seus 20 anos, que Gabriella começou a se envolver mais com o time. “Entrei em uma organizada e foi onde eu comecei a viver o Vasco pra além do jogo.”

A escolha pela Guerreiros do Almirante foi, também, uma escolha política. “Quando eu ia ao estádio, eu ia completamente sozinha. Minha escolha pela GDA veio tanto por saber que eles tinham uma abertura política para você ser uma pessoa de esquerda dentro da torcida quanto pra você só ser mulher e ser gay.” Hoje, Gabriella é liderança dentro da GDA e ajuda a construir uma arquibancada mais inclusiva. “Se alguém puxa uma música homofóbica, nós da GDA, nossa banda, para de tocar. A gente deixa a música morrer na arquibancada como forma de constrangimento.” O envolvimento de Gabriella com o Vasco fez com que sua noiva, Caroline, também abraçasse o time cruzmaltino. “A partir do momento que eu comecei a viver o Vasco, é difícil ela não viver o Vasco comigo.”

Quando criança, Caroline ficava ansiosa ao tentar falar de futebol com os colegas e isto fez com que ela se afastasse do esporte. Sua reaproximação veio a partir do relacionamento com Gabriella. “O Vasco é um amor que eu ganhei pelo casamento.”

Hoje, Caroline frequenta São Januário junto com Gabriella e diz que a sexualidade delas não é uma questão. “Eu acho que é um contrassenso como eu me sinto confortável em ser gay no estádio. É um dos lugares onde a gente mais se sente confortável de estar junta como casal. E eu esperava que fosse ao contrário. Nunca houve um momento de constrangimento. Não é uma informação [a sexualidade] que é ignorada sobre você e você ta naquele espaço como se isso não existisse. Você faz parte, isso é reconhecido e isso não é um problema. Assim como a Gabi usa óculos, ela é gay e tem a esposa dela.”
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Numa manhã de sábado, eu e Thalita adentramos a visitação do Estádio Mário Filho enquanto sua mãe e sua irmã se juntavam aos corredores matinais ao redor do estádio. Era um Maracanã um pouco diferente ao que ela está acostumada, com as arquibancadas vazias e apenas a sua camisa do Fluminense à vista.

Sua história com o futebol começou em 2022, em um momento complicado da sua vida. O futebol acabou se tornando um refúgio mental, algo que a fazia desligar a cabeça. Sua escolha pelo Fluminense inicialmente se deu para contrariar o pai, flamenguista. “Meu pai não aceitava muito bem o fato de eu ser lésbica e a gente ficava numa guerra fria. Eu escolhi o Fluminense pra contrariar ele e acabou que eu me apaixonei. Hoje a gente assiste FlaxFlu juntos.” Seu primeiro jogo em estádio foi a despedida do Fred, ídolo tricolor, onde se emocionou e decretou “é isso!”. A partir daquele momento, passou a acompanhar o tricolor religiosamente.

Apesar de acreditar que frequentar o estádio com a família a protegeu do preconceito, Thalita relata que já presenciou homofobia nas arquibancadas. “Eu já vi um pedido de casamento de um casal sáfico e muita gente tava comemorando mas tinha uma parte da galera do meu lado falando mal, jogando coisa em cima delas. [...] Ainda é um espaço que ainda é hoje em dia muito preconceituoso, muito machista.”
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Encontrei Manfrini e Gabriel no Estádio do São Cristóvão em uma segunda-feira. Quem nos recebeu foi o historiador do clube, Paulo Jorge, que nos apresentou as dependências e a sala de troféus, contando um pouco da história do São Cristóvão.

Botafoguense, Manfrini sempre teve o futebol como parte de sua vida, a começar pelo nome, deixado como herança por seu avô. “Meu avô era torcedor do Atlético Mineiro e quando ele descobriu que seria avô, ele sonhou que ia ter um neto botafoguense e deixou esse nome pro meu pai.” Manfrini, então, foi batizado com o nome do meio-campista que atuou no alvinegro no final dos anos 1970. 

No entanto, por causa de seu jeito afeminado e preconceitos sofridos na infância, o futebol acabou sendo deixado de lado. “Na terapia, eu resgatei esse amor.” De aniversário, Manfrini se deu de presente uma ida ao Nilton Santos na caravana da torcida Fogoró, onde se sentiu acolhido. Dali em diante, passou a frequentar os jogos e fez seu cadastro na organizada. “Eu fui vendo que eu não estava sozinho, que tinham outras pessoas que também queriam viver isso. Eu comecei a trabalhar a questão de acolhimento de LGBT+ dentro do estádio.”

No dia anterior, Manfrini havia levado Gabriel em seu primeiro jogo do Flamengo no Maracanã. O relacionamento com Manfrini fez Gabriel redescobrir o amor pelo esporte. “Na minha cabeça, eu pensava que ser LGBT, ir em estádio, no jogo em si, não era o lugar que eu me sentia acolhido.” As experiências com a torcida organizada que Manfrini faz parte, no entanto, fizeram Gabriel mudar de ideia. “A torcida me acolheu de uma tal forma, mesmo eu não sendo botafoguense, que reativou uma emoção que eu não sentia há muito tempo, sabe? [...] Ter ido no jogo e perceber que desconhecidos me acolheram me fez perceber que, mesmo sendo LGBT, eu tenho um lugar ainda pra participar dos jogos.”
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feliz mês do orgulho 🏳️‍🌈

esse projeto só foi possível com a ajuda incansável do meu amigo e laboratorista @labcafeina, que acreditou e me apoiou desde quando esse projeto era apenas um emaranhado de ideias na minha cabeça.

#orgulho #analogfootball
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