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+14 anos conectando varejo, gastronomia e comportamento.
Aqui divido o meu olhar sobre o negócio de alimentos.
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Molho virou assunto sério. Private equity ta comprando, GLP-1 ta acelerando, e o consumidor que come menos ta gastando mais em intensidade. 

O carrossel mostra o movimento global, mas o Brasil já tem marcas fazendo isso acontecer. 

@punchflavors , @guppy.licious , e com certeza tem mais gente boa chegando. 

Se você conhece ou faz um molho que transforma o básico em algo que a pessoa quer repetir, marca aqui embaixo. by @titopaolone
51
6 months ago
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Frozen yogurt de novo, mas pra quê?

Por um tempo, foi sinônimo de saudável. Agora, começa a ganhar um papel mais estratégico.

Quem passou por shopping centers no início dos anos 2010 provavelmente lembra: filas, copos cheios de toppings e a sensação de consumir algo indulgente, mas “permitido”. Você colocava o iogurte zero açúcar, cobria com bala Fini, calda de chocolate e Negresco triturado. No fim, tinha a mesma caloria vazia de um BigMac

O que surge agora em Nova York não é necessariamente um retorno.

O iogurte atual não compete com a sobremesa. Ele foi pensado pra integrar um estilo de vida.

Hoje, ele entra pela lógica da performance. Não substitui o doce, justifica a escolha. Comer virou parte de um sistema que inclui treino, sono e suplementação.

A nova versão é mais densa, mais próxima de uma refeição. Sustenta, prolonga a saciedade e conversa com a obsessão por proteína.

O balcão mudou: menos excesso, mais curadoria. Ingredientes simples, menos açúcar, mais função. A estética também evoluiu. Sai o colorido, entra o minimalismo.

O contexto acompanha. O consumidor brasileiro ta mais próximo do repertório wellness do que nunca. Academias cheias, clubes de corrida, suplementação no dia a dia.

Marcas locais já testam esse caminho, misturando indulgência e função em soft-serve, por exemplo.

Ainda é cedo pra cravar tendência. Mas o encaixe é claro.

Será que deixa de ser moda e vira hábito?

Se isso acontecer, talvez não exploda como antes. Mas dificilmente desaparece. by @titopaolone
17
6 months ago
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Comenta LA GUAPA aqui embaixo e eu te mando essa história completa.

No horário do almoço, a fila da La Guapa quase nunca parece a fila de uma operação tradicional.

As pessoas não tão ali só porque precisam comer rápido.

Tão ali porque acreditam que aquela empanada vale o desvio.

Até parece simples.

O Fast Casual ta cheio de operações que sabem escalar produto. Difícil pra mim é escalar o desejo. E nesse espaço a La Guapa construiu um modelo bemmm interessante.

Faz tempo que não me impressiono com os bastidores de uma fábrica como me impressionei nessa! Comenta pra mais! by @titopaolone
92
6 months ago
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O DoorDash funciona de forma parecida com o iFood: você pede comida pelo app, o restaurante prepara e um entregador leva até você. É uma plataforma americana que também entrega compras de mercado e de outras lojas.

Agora, com o **DashOS**, ele quer juntar pedido, reserva, fidelidade e marketing num sistema só. Reconhecer que a pessoa que pediu delivery ontem é a mesma que reservou uma mesa hoje.

Pra quem toca um restaurante e não tem equipe de dados, isso ajuda. O problema é quando todo o histórico do cliente fica ali e você depende daquele sistema pra chamar a pessoa de volta.

Não acho que a resposta seja não usar. Acho que é entender o que você consegue acessar, exportar e continuar usando se um dia quiser sair.

É disso que falo no carrossel.

Só uma ressalva: quando escrevo “dona do cadastro”, estou falando de dependência tecnológica e controle do relacionamento. Não estou dizendo que a plataforma vira proprietária dos dados ou compartilha o cadastro com o restaurante concorrente. Os números são da própria DoorDash, e a expansão pra mais de 80 mil restaurantes está prevista a partir de 2027. by @titopaolone
1
10 days ago
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Rach Hirsch passou anos em Wall Street e hoje investe em marcas de consumo e wellness. Recentemente, contou uma história curiosa sobre desejo de marca: mandou a própria mãe rodar mais de um Whole Foods atrás de uma sacola de supermercado.

Era a collab entre Whole Foods e Fishwife, marca de peixe em lata que conseguiu transformar uma categoria esquecida da despensa em objeto de desejo.

A coleção lançou em 29 de julho, só nas lojas físicas, em edição limitada e em três tamanhos. O menor era uma micro tote feita pra carregar uma lata.

As sacolas começaram a sumir das lojas rapidamente.

Quando alguém começa a procurar sacola de supermercado como se procura um tênis ou uma bolsa, acho que ela já deixou de ser só embalagem.

O Whole Foods deu um nome pra uma parte desse comportamento no relatório de tendências de 2026: kitchen couture.

É quando aquilo que antes era só funcional dentro da cozinha começa a ser desenhado pra ficar à vista.

A Fishwife construiu boa parte da marca nesse território. As latas são coloridas, ilustradas e reconhecíveis. Você compra o peixe, mas compra também um objeto que não precisa esconder na despensa.

Em agosto, a marca apareceu também numa colaboração com a Sweetgreen, numa Niçoise de verão. Produto, embalagem, restaurante, sacola. A fronteira entre alimento e lifestyle vai ficando cada vez menor.

E é aí que supermercado tem uma oportunidade interessante.

Durante muito tempo, sacola foi custo operacional. Depois virou comunicação. Agora pode virar produto.

Um produto que o cliente paga pra carregar pela cidade com o nome da loja estampado.

No Brasil, a sacola de feira talvez seja a matéria prima cultural perfeita pra isso. Todo mundo reconhece, tem memória, cor e repertório brasileiro, mas nenhuma grande rede realmente transformou esse objeto num símbolo próprio.

Daria pra reinterpretar isso com um produtor querido, um artista, uma padaria ou uma marca local.

Mas tem uma ressalva importante: edição limitada não cria desejo do nada. Collab não conserta loja sem personalidade.

O que existe hoje na sua loja que alguém procuraria em mais de uma unidade só pra conseguir levar pra casa? by @titopaolone
7
13 days ago
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Quem enche o carrinho de marca própria na sua loja?
Se a primeira imagem que veio na sua cabeça foi alguém de 45 ou 50 anos procurando economizar, os dados começam a contar outra história.
Nos EUA, a Spins analisou 52 semanas de vendas encerradas em junho. Do crescimento de marca própria nesse período, 81% veio de Gen Z e millennials. A Gen Z sozinha respondeu por 43%. A Gen X, por 19%.
E não ta crescendo só no papel higiênico, no arroz ou naquela categoria onde preço sempre falou mais alto.
Em carne e peixe refrigerado, uma das áreas mais sensíveis da loja quando o assunto é confiança, marca própria cresceu 41% no ano. As marcas da indústria, 11%.
Isso muda bastante a conversa.
Quatro em cada dez desses consumidores jovens seguem algum tipo de dieta. Cozinha asiática e latina já faz parte da rotina de uma parcela enorme deles. Eles cresceram com acesso a mais informação, mais referências de produto, mais restaurantes, mais viagem, mais conteúdo e mais comparação.
Ou seja, comprar barato não basta.
Pra essa geração, comprar bem virou quase obrigação. Encontrar um produto bom antes dos outros, entender ingrediente, descobrir uma marca diferente e pagar um preço que faça sentido também virou parte de identidade.
É aí que a marca própria muda de função.
O logo do varejista na embalagem deixa de ser um pedido de desculpas pelo preço baixo e pode virar um selo de curadoria. Pode dizer: eu procurei isso, escolhi isso e coloquei meu nome aqui porque acredito nesse produto.
Agora olha pra cá.
Em boa parte do varejo brasileiro, marca própria ainda nasce dentro de uma lógica antiga: encontra o líder, aproxima a embalagem, reduz custo e promete algo parecido por menos.
Só que algumas redes mais modernas já começaram a inverter essa ordem. Primeiro vem o consumidor que elas querem conquistar. Depois produto, receita, origem, embalagem, linguagem, ocasião de consumo e, só então, preço.
O dado é americano. Nossa indústria, nossa escala e principalmente nossa capacidade de desenvolver frescos ainda são diferentes.
O próximo salto de marca própria não vem de parecer cada vez mais com a marca líder.
Vem justamente de parar de tentar parecer com ela. by @titopaolone
1
18 days ago
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Comenta CURADORIA que te envio o material completo no direct.  Enquanto o supermercado tradicional carrega entre 10 e 20 mil itens e se perde em guerra de desconto com o atacarejo, o Trader Joe’s opera com apenas 4 mil produtos e cerca de 80% de marca própria.

Eles não jogam o jogo da compra do mês. Escolheram ser a segunda parada: o destino onde o cliente vai para descobrir itens únicos com preço baixo todo dia.

Preparei um roteiro completo dissecando a engenharia de marca própria deles, dos contratos de confidencialidade com a indústria ao mecanismo de escassez que faz o cliente voltar sempre. by @titopaolone
39
20 days ago
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Comenta BLANK que eu te mando minha visão e os números completos da Blank Street no direct.

Em 2020, era um carrinho de café no Brooklyn. Hoje são mais de 100 lojas, lucro no Reino Unido e uma avaliação de US$ 650 milhões.

A receita é menos romântica do que o café especial gosta de admitir: loja pequena, máquina superautomática, operação padronizada. E o matcha puxando metade das bebidas.

A General Atlantic liderou a rodada mais recente, de uns US$ 105 milhões. Desse total, US$ 75 milhões entraram no caixa pra acelerar a expansão.

Pra mim, a graça tá no método. Café tratado como varejo de alta repetição, com cara própria e um cardápio pra quem não acorda pensando em espresso.

Salva e manda pra alguém que vive de café. by @titopaolone
122
25 days ago
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Gigi tem 65 anos, é milanês e ama arte. É o personagem imaginado que orienta o conceito do restaurante que leva seu nome, uma das marcas da Paris Society.

A personalidade dele guia escolhas da comida, do uniforme, da música e até do aroma do ambiente. Dá pra imaginar a pergunta antes de aprovar qualquer coisa: isso faria sentido na casa dele?

Eu achei interessante porque cria uma referência comum pra quem desenha o espaço, monta o cardápio e cuida do serviço ou do mix de produtos. Também ajuda a recusar uma ideia bonita que não combina com o lugar.

E o que isso tem a ver com você que tá lendo esse texto?

No Gigi, o personagem representa quem recebe. Você pode fazer esse exercício também pra entender quem quer conquistar.

“Classe AB, de 25 a 60 anos” ajuda pouco na hora de escolher o que colocar na gôndola ou no cardápio.

Minha dica é criar esse cliente ideal no seu negócio. Onde ele mora, trabalha, pra onde viaja? O que gosta de comer, quais lugares frequenta e o que encontra neles? Imagina ele entrando, com quem vem e quanto tempo tem pra ficar.

Pensa também no que ele valoriza. Em que aceita gastar mais? O que considera caro? Prefere ajuda pra escolher ou gosta de olhar tudo sozinho? O que faria ele sair sem comprar?

Com essa pessoa em mente, olha pras suas decisões. O cardápio tem coisas que ela teria vontade de pedir? O preço cabe na frequência com que você espera recebê-la? A embalagem funciona pra levar a comida até em casa? A música combina com o ambiente que você quer criar?

Vai usando essas respostas pra escolher produto, pensar o espaço e preparar o atendimento. Divide esse perfil com a equipe, pra que ela também entenda quem você quer conquistar e consiga participar dessas escolhas.

Depois, compara o que imaginou com quem entra de fato. Conversa, observa os pedidos, escuta o atendimento e acompanha o que as pessoas voltam pra comprar. 

Eu gosto desse exercício porque ajuda a perceber quando o nosso gosto está decidindo tudo. Um produto pode lembrar uma viagem ótima pra você e fazer pouco sentido pra quem passa na sua loja. Vale conseguir imaginar essa pessoa escolhendo, usando e querendo comprar de novo. by @titopaolone
0
a month ago
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O bagel tá crescendo de novo nos Estados Unidos….

O Einstein Bros., que já tem mais de 700 lojas, já anunciou que quer abrir outras 300 até 2030. Tem marca ainda mais nova, como a PopUp Bagels, dando outro interesse pra um produto que já fazia parte da rotina por lá. Na PopUp, o bagel chega quentinho, inteiro, com cream cheese ou manteiga pra acompanhar. Você rasga um pedaço e mergulha no pote.

E aí me vem uma dúvida: depois de tanta conversa sobre proteína e canetas, o carboidrato ainda é o vilão?

Esse crescimento, sozinho, não dá pra interpretar como uma mudança na relação com carboidratos. Mas eu fico pensando se a gente, trabalhando com alimentos, às vezes interpreta preocupação com saúde como uma disposição de abrir mão de tudo que dá prazer….

Aqui no Brasil, a história do bagel me pega por outro motivo.

A gente acompanha tanta novidade de fora, tenta reproduzir produto, loja, embalagem. A MYKA acabou de chegar e já tem fila pro frozen de iogurte grego. O bagel aparece em pouquíssimas casas, tem seu público, mas ainda parece bem mais restrito…

Minha impressão é que o frozen tem uma ocasião de consumo que a gente já conhece. Você entende quando vai tomar aquilo, pode ir depois do almoço ou no meio de um passeio.

Com o bagel, talvez exista mais coisa pra apresentar. A textura pede mais mastigação do que os pães macios que a gente ta acostumado em sanduíches. E, se a proposta for café da manhã, ele vai disputar espaço com pão na chapa, pão de queijo, misto quente e uma padaria que você já frequenta.

Gostar de comer um bagel em Nova York também não significa querer procurar um toda semana em São Paulo. Na viagem, ele faz parte do lugar. Aqui, entram distância, preço e o que você já gosta de pedir.

Mas nada disso tira a curiosidade imensa que eu tenho de ver uma bagel shop por aqui. Pão quente, fresco, entregue na sua casa, talvez assado num lindo forno a lenha, como antigamente na Black Seed Bagels, por exemplo! Se isso já existe, eu ainda não achei por aqui. by @titopaolone
25
a month ago
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Comenta CULTO que eu te mando uma leitura dos códigos do Erewhon que dá pra copiar.

O Erewhon saiu de Los Angeles pela primeira vez. A 14ª loja abriu em Thousand Oaks, cidade rica e residencial fora do circuito. 

Comenta CULTO que eu te mando. by @titopaolone
16
a month ago
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Você já imaginou que seu funcionário pode ser seu maior influenciador?

Nos últimos dias, a Starbucks fechou com o TikTok pra ser a primeira marca a usar o Creator Networks do Content Suite. Basicamente, é uma infraestrutura que transforma baristas em criadores remunerados via revenue share de anúncios. Não necessariamente um programa de embaixador.
Eles recebem briefings reais, ferramentas nativas e, pelo resultado, uma divisão de receita. Esse programa já existia na Starbucks, chamavam de Green Apron Creators, mas era bem contido; agora ele ganhou a escala do TikTok.

A turma do fashion já faz isso com certa qualidade. Marcas como Arezzo e FARM, por exemplo, possuem vendedores que viram micro-influenciadores internos, ganham vouchers no e-commerce, comissão por código, acesso antecipado à coleção. Não é nada forçado e acaba acontecendo naturalmente

Como será que isso pode se traduzir pro varejo de alimentos ou hospitalidade?

Ja temos baristas que fazem latte art de qualidade internacional, atendentes que conhecem o cardápio melhor que nutricionista, gerentes que viram a madrugada garantindo loja abastecida no dia seguinte….E podemos concordar que eles carregam um celular no bolso... Eu pensaria em dar voz pra essas pessoas, deixar de ser algo CEO leading role, que já está bem utilizado, e passar pra quem tá à frente do cliente diariamente. Um atendente que conhece a fundo os produtos, com briefing, com boa produção e etc… tropicalizando essa questão por aqui, o ideal seria explorar mais posts compartilhados do que algo exclusivo da conta do funcionário. Até porque precisamos sempre observar e acompanhar as leis trabalhistas e LGPD…

Sejam bem-vindos à creator economy B2E, marca pagando revenue share direto ao colaborador. Mas atenção: nada adianta sem curadoria interna, com briefings baseados no que performa… UGC (conteúdo gerado por usuários, nesse caso funcionários) não é “conteúdo grátis”, é earned media com CPM menor (custo por mil impressões) e engagement três a cinco vezes superior ao conteúdo de marca tradicional. by @titopaolone
6
4 months ago
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