Posted On: October 12th 2026, 02:15 pm
Dia das crianças! Final de semana Juntos, vivendo a vida e construindo memórias.
Eu não me lembro de muitos presentes que ganhei na infância. Mas lembro das viagens com meus pais, das histórias que me contavam, dos lugares que conhecemos juntos. Lembro da bicicleta, do queimado, do pega-pega, dos pés descalços e da liberdade de simplesmente ser criança.
E hoje entendo que a maior herança da minha infância não foi aquilo que meus pais puderam me dar, mas aquilo que me permitiram viver.
Nesse final de semana, durante o café da manhã do hotel, uma cena me fez refletir. Quase todas as mesas tinham adultos e crianças imersos em seus celulares. Famílias inteiras compartilhando o mesmo espaço, mas não necessariamente o mesmo momento.
E me perguntei: de que adianta proporcionar experiências extraordinárias se estamos cada vez menos disponíveis para experimentá-las?
Vivemos uma época curiosa. Nunca tivemos tantos recursos para registrar a infância dos nossos filhos e, paradoxalmente, talvez nunca tenhamos tido tanta dificuldade de estar inteiramente presentes nela.
Fotografamos tudo, mas será que estamos vivendo tudo?
A infância não é apenas uma fase da vida. É o lugar onde começamos a construir nossa percepção de mundo, nossos vínculos, nossa segurança e nossa capacidade de encontrar alegria nas coisas simples.
E talvez estejamos confundindo oferecer uma boa infância com oferecer cada vez mais coisas.
Criança precisa de tempo, natureza, imaginação, movimento, conversa, tédio, descoberta. Precisa de adultos que não apenas organizem sua vida, mas que participem dela.
Não sou contra a tecnologia. Sou contra a ideia de que precisamos preencher cada segundo da existência com algum estímulo.
Porque uma infância rica não é necessariamente aquela que teve acesso a tudo. É aquela em que houve espaço para sentir, explorar, pertencer e ser amado.
Que a gente nunca se esqueça de que criar boas memórias é muito mais importante do que acumular bons presentes.
No fim, talvez nossos filhos não se lembrem de tudo que fizemos por eles. Mas certamente carregarão muito daquilo que viveram conosco.
E isso, pra mim, é uma das maiores responsabilidades e belezas de ser mãe.
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